Festival Internacional de Jardins de Ponte de Lima e o tema "Sono"
A 21ª edição do Festival Internacional de Jardins de Ponte de Lima, dedicada ao tema "Sono", reúne 11 propostas selecionadas por concurso internacional e segue em exibição até 31 de outubro. Além desses jardins principais, o evento inclui 11 criações feitas por alunos dos agrupamentos de escolas de Ponte de Lima e ainda os dois projetos mais votados da edição de 2025.
No total, cerca de 25 jardineiros participaram da construção das obras apresentadas desde o dia 29. E, enquanto esta edição permanece aberta ao público, a organização já definiu o tema do próximo ciclo: em 2027, novas propostas serão executadas sob a temática "Jardins Inteligentes".
Jardins efêmeros que se transformam ao longo dos meses
Entre os exemplos que ilustram como esses espaços se alteram com o tempo está o jardim "Espaço Onírico [jardim-pavilhão]", concebido por um arquiteto colombiano para a edição 2026 do festival. Desde os primeiros dias, a instalação ganhou um detalhe que não constava do projeto e tampouco havia sido previsto pela equipe: uma ave fez ninho em um dos arbustos do conjunto.
O acontecimento inesperado chamou atenção, mas funciona como sinal do que costuma ocorrer ao longo dos cinco meses de visitação - período em que as criações anuais, apesar de efêmeras, passam por mudanças naturais diante do crescimento das plantas e da presença de diferentes espécies.
Plantas raras e a chegada da fauna aos espaços
A vegetação escolhida para os jardins vai se desenvolvendo e, com isso, altera a leitura dos ambientes. Em alguns casos, são usadas espécies menos comuns, como as tilândsias aéreas, que vivem penduradas em outra proposta desta edição, "Tilandsias Oníricas", assinada por quatro autores portugueses e brasileiros.
Com o tempo, além da transformação da estrutura vegetal, os espaços também vão sendo ocupados por animais: pássaros, rãs, borboletas, libélulas e outras espécies acabam aparecendo e se integrando ao cenário.
"Os jardins acabam por ter esta parte interessante, que é o público visitar agora, na abertura, e depois vir daqui a um mês ou dois, ver como evoluíram. Acho que o festival acaba por cativar também por isso, porque podemos acompanhar durante um período longo o seu desenvolvimento", afirma Sandra Pereira, chefe de Divisão de Ambiente e Espaços Verdes da Câmara de Ponte de Lima, sublinhando que quando o evento terminar em 31 de outubro, os jardins efémeros expostos desde dia 29, "estarão diferentes".
A construção anual e o trabalho da equipe de jardineiros
Segundo Sandra Pereira, a necessidade de criar uma nova edição a cada ano exige reinvenção contínua e mantém a equipe em atividade. "Todos os anos temos de nos reinventar. Este projeto tem a vantagem de nos manter sempre ativos. Mesmo os próprios jardineiros, o facto de terem de estudar os projetos, interpretá-los e construí-los, acho que lhes dá gozo e os alimenta todos os anos", diz, ao lembrar que, entre novembro e o fim de maio, o espaço do festival fica fechado ao público e vira um canteiro de obras para preparar a edição seguinte.
A jardineira Fátima Pereira, que trabalha há sete anos no recinto do festival, junto ao rio Lima, descreve o ritmo e a motivação do período de montagem: "Gosto muito deste trabalho. São jardins efémeros e isso aumenta o gosto e o desafio. Todos os anos são diferentes e há uma expectativa enorme de conseguir chegar ao fim do prazo que temos para os ter prontos. Isto é maravilhoso".
Em seguida, ela ressalta como a dedicação à montagem vai além do papel tradicional de jardinagem: "Faz parte da nossa vida, dos nosso dia a dia. A gente esquece que tem casa para se dedicar completamente ao projeto", diz. Aqui, acrescenta, "somos muito mais que jardineiros, somos carpinteiros, pedreiros, fazemos um pouco de tudo". Confessa que "custa desfazer alguns no final, porque são muito bonitos, mas já sabemos que a seguir vai sair outra obra ainda mais bela".
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