Antes de embarcar no KC-390
O imponente KC-390, normalmente empregado em missões de transporte militar, levou Vitória Montoya e os amigos em um voo da Maia até Espinho. Entre os cinco, só Vitória já tinha estado em um avião comercial - e nenhum deles havia entrado, até então, em uma aeronave militar. O batismo de voo do Air Invictus, iniciativa promovida pela Força Aérea Portuguesa (FAP), foi descrito como "espetacular", inclusive quando o piloto simulou uma "queda livre".
Ainda em solo, a expectativa dominava o grupo de Matosinhos, prestes a entrar pela primeira vez em um avião militar. Vitória Montoya, a mais velha, com 19 anos, diz ser apaixonada pelas Forças Armadas e conta que já "chegou a ter um sonho" para o futuro. "Estou muito entusiasmada. Ver tudo pessoalmente, acho que vai ser muito emocionante", dizia a jovem, pouco antes de iniciar a experiência pelos céus da Maia. Ao lado dela estavam Maria Oliveira, Daniel Dutra, Rúben Cardoso e Diogo Castro - que nunca tinham voado em nenhum tipo de avião - compartilhando a mesma inquietação, embora reforcem que "ninguém tem medo".
Surpresas do piloto
Já acomodados no interior do cargueiro - um ambiente que pouco lembra a cabine de um avião comercial - os cinco colocam os cintos e ficam à espera do que o piloto havia prometido ao recebê-los. Alguns minutos após a decolagem, vem a primeira surpresa: uma manobra em queda livre, conhecida como gravidade zero, que pega todos os passageiros desprevenidos.
No meio do ruído forte da aeronave, os amigos passam a chamar uns aos outros, se dão as mãos e gritam frases de empolgação que, por causa do barulho, mal dá para entender. "Estou muito ansiosa, mas de uma forma boa. É muito fixe ver como é que tudo funciona e ver toda a gente a trabalhar", conta Vitória, ainda impressionada com o que vê.
Volta apertada
Depois, o piloto faz uma "volta apertada com 60 graus" - que, para os passageiros menores, pareceu menos assustadora do que a manobra anterior. Como há poucas janelas na aeronave, eles se revezam para observar, lá de cima, a paisagem.
"Na janela, parecia que o avião estava a virar. Deu para ver o mar, casas e a sombra do avião, que é muito fixe. E deu para ver a parte da asa, aquilo é enorme", destaca Vitória, sorrindo.
Air Invictus da FAP: participantes e voos no dia
O trajeto, com cerca de 20 minutos, levou 60 pessoas a uma experiência considerada "imperdível". "Não pensei duas vezes, porque posso nunca mais ter esta oportunidade", diz Diogo Castro, de 13 anos. Ao todo, ontem foram feitos seis voos no KC-390, totalizando aproximadamente 360 pessoas no ar.
"A Força Aérea Portuguesa tem um enorme gosto em receber a população. Esta proximidade é extremamente positiva e gratificante para nós: dá a conhecer a missão e, muitas vezes, até ajuda a desconstruir o paradigma do militar como um indivíduo mais ríspido. Também somos seres humanos", afirma o Major João Almeida Velho.
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