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Algarve fecha 2025 com recordes e atrai investimentos de Pestana e Arrow Global

Casal em varanda com vidro, casas, piscina, campo de golfe e mar ao fundo em dia ensolarado.

Em uma região que se orgulha de somar mais de 300 dias de sol ao ano, os novos recordes do turismo no Algarve não causam surpresa. Ao encerrar 2025, a região voltou a registrar números históricos: as pernoites avançaram 0,4%, chegando a 20,8 milhões, e as receitas da hotelaria cresceram ainda mais, 6,5%, totalizando €1,8 mil milhões.

Para o presidente da Região de Turismo do Algarve, André Gomes, o avanço em valor reflete uma fase marcada pela requalificação da oferta e pela entrada de capital estrangeiro. “Nestas apostas das grandes marcas, em particular nos últimos dois a três anos, mais de metade dos investimentos não são construção nova, e efetivamente tínhamos hotéis com 20, 30 anos que careciam de renovação.”

Novos hotéis 4 e 5 estrelas no Algarve até 2029

Em projeções “não exaustivas”, a Região de Turismo do Algarve estima a inauguração de 13 hotéis de quatro e cinco estrelas até 2029. Nesse pacote estão o Hard Rock Hotel Algarve, na Praia do Vau, promovido pela Mercan (grupo canadense), que também está a desenvolver dois hotéis da marca Hilton em Lagos, além do Conrad Meia Praia e do BodyHolyday St Lucia, em Altura.

A relação de iniciativas inclui empreendimentos fora do eixo de praia, como um boutique-hotel de enoturismo na Quinta Arvad, perto de Silves, fruto de uma parceria entre a produtora de vinhos e o grupo Memmo. Também aparece um resort com 900 camas na Herdade do Monte da Ribeira, em São Brás de Alportel, com aposta em turismo sustentável.

Grupo Pestana no Algarve: expansão, golfe e habitação

Entre os grupos nacionais, o Pestana é o que tem maior presença no Algarve. Mantém nove hotéis em funcionamento na região (aos quais se juntam quatro Pousadas de Portugal, em Sagres, Estói, Tavira e Vila Real de Santo António). O portfólio inclui ainda a gestão de 400 residências turísticas - entre moradias e apartamentos - e a propriedade de cinco campos de golfe no Algarve.

Dando continuidade aos aportes, o grupo tem em desenvolvimento o seu sexto campo de golfe de 18 buracos, em Ferragudo, ligado a um novo aldeamento turístico com 132 casas. “Ainda não começámos a construir, e já vendemos cerca de 40 casas”, afirma Pedro Lopes, administrador do Grupo Pestana no Algarve.

Além disso, o Pestana pretende avançar com um boutique-hotel junto ao campo de golfe em construção em Ferragudo, projeto que ainda aguarda aprovação. Em paralelo, está a ser preparado um empreendimento residencial com 60 casas ao lado do resort Vila Sol, em Vilamoura, previsto para ficar pronto até o fim do ano, bem como um novo aldeamento turístico em Silves, somando 170 moradias.

O Algarve assume a maior fatia nos €1,6 mil milhões que a Arrow Global planeia investir no país

O aumento de custos também entra na equação. “Hoje a construção fica pelo dobro do custo por metro quadrado do que há cinco anos”, aponta Pedro Lopes, acrescentando que a “instabilidade na construção agravou-se desde a pandemia de covid-19”.

Para novos hotéis, o entrave mais citado é o licenciamento. A burocracia, segundo o gestor, é o “principal problema”, o que torna mais simples requalificar o que já existe do que erguer projetos do zero. “A burocracia é um pesadelo aqui no Algarve para quem quer fazer hotéis. A máquina é pesada, há muitos anos que é assim. Os projetos demoram pelo menos dez anos, ou até mais de vinte, a concretizar.”

Quanto ao desempenho do setor, Pedro Lopes avalia que, “Na área turística, o mercado continua bem no Algarve e a receita está estabilizada”, ressaltando a ampliação do período de operação ao longo do calendário. “Para a hotelaria, o verão é sempre muito forte, e os meses médios têm melhorado bastante.”

Essa evolução, diz ele, está ligada à redução da sazonalidade. “O Algarve a funcionar só em junho, julho e agosto já não é a realidade. Cada vez temos menos sazonalidade, e os meses de maio a outubro já são períodos altos”, destaca. “Este inverno só fechámos um hotel em Alvor, foi o único, todos os outros hotéis Pestana já funcionam o ano inteiro no Algarve.”

No tema mão de obra, o grupo afirma que tem conseguido contratar, com forte presença de imigrantes, e reconhece a dificuldade de atrair portugueses para certas funções. Ainda assim, o gargalo mais severo, segundo o administrador, está na moradia. A habitação é “um drama no Algarve, o que nos obriga a ter instalações próprias, e no verão damos alojamento a 300 trabalhadores”.

Vilamoura passa por renovação

O Algarve aparece cada vez mais no foco de investidores de fora, e a Arrow Global é um exemplo marcante. O grupo britânico tornou-se dono do Vilamoura World em 2021 e já investiu mais de €500 milhões. Diferentemente do promotor anterior, adotou uma estratégia de reaglutinação de ativos dentro do empreendimento de 1700 hectares para formar um “destino integrado”, alinhado à visão do fundador Cupertino de Miranda, e segue com obras de requalificação tanto na hotelaria quanto nos cinco campos de golfe comprados ao grupo Dom Pedro, além da emblemática marina de Vilamoura.

A Arrow Global assinou a mais recente inauguração oficial no Algarve: o Hyatt Regency, resultante da reconversão do antigo Dom Pedro Vilamoura, num projeto que envolveu €20 milhões. O próximo hotel na lista de renovação é o Dom Pedro Marina, que retornará ao mercado como Canopy by Hilton.

Do sotavento ao barlavento, o grupo possui 18 hotéis no Algarve e, neste momento, desenvolve ou comercializa mais de 3500 unidades residenciais. Para além de Vilamoura, os ativos turísticos estendem-se à Quinta do Lago, Ancão, Monte Rei e Palmares (onde está previsto, nesse caso, um investimento de €700 milhões em um resort com a marca JW Marriott). No total, a Arrow Global planeia investir €1,6 mil milhões em Portugal até 2030, sendo que a parcela mais elevada está destinada ao Algarve.

O ciclo de remodelações que vem elevando o padrão da hotelaria ocorre em paralelo ao reforço de rotas no aeroporto de Faro. E, somando-se aos voos diretos já existentes para os Estados Unidos ou o Canadá, o presidente da Região de Turismo do Algarve afirma que uma “prioridade estratégica” é garantir ligações diretas ao Brasil, com expectativa de alcançar esse objetivo nos próximos dois anos. André Gomes também destaca o esforço para captar rotas do centro e do norte da Europa, com o objetivo de atrair turistas de mercados menos habituais.

A habitação “é um drama” e no verão o grupo Pestana oferece alojamento a 300 trabalhadores

Em um “outro Algarve”

Na aldeia de Rogil, no município de Aljezur, Anabela Claro, proprietária do Hotel Alcatruz, observa um fluxo cada vez maior de visitantes que chegam motivados para fazer caminhadas na Costa Vicentina.

“As caminhadas estão muito na moda, e esta zona oferece, de facto, uma paisagem visual muito boa”, afirma a dona do hotel, que ao lado do empreendimento também mantém um espaço onde produz o tradicional “pão do Rogil”, entre outros itens regionais.

Segundo ela, a procura recente tem sido especialmente positiva. “Este ano está a ser fantástico, recebemos muito mais turistas, os caminhantes aparecem todo o ano, alemães, holandeses e até checos”, relata. “Hoje há aqui muitos estrangeiros, mas quando começámos, não era assim.”

Anabela Claro deixou Lisboa e, há 30 anos, abriu um hotel em Rogil ao reformar a antiga casa comprada pelos pais nos anos 70. O projeto começou com cinco quartos e, com um investimento “por fases”, passou a oferecer 20. “Na altura, havia necessidade de alojar pessoas só no verão.” Para ela, “a Rota Vicentina foi uma salvação para esta zona” e os turistas que recebe “são diferentes dos que vão lá ao Algarve”, como se estivesse a falar de um destino distinto. “Para nós é muito importante dar a conhecer a zona, e o que mais me entusiasma é criar coisas para pessoas com gosto pela natureza e o que é autêntico.”

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