O voo CX156 da Cathay Pacific sofreu dois mergulhos sucessivos em questão de segundos, sem qualquer alerta, deixando 10 feridos e uma cabine destruída no rastro do episódio. O caso reforça de forma dura por que o cinto de segurança deveria ficar afivelado o tempo todo - ainda mais com o aumento desse tipo de ocorrência associado ao aquecimento global.
No domingo, 24 de maio, o voo CX156 da Cathay Pacific, de Brisbane para Hong Kong, foi sacudido com violência quando faltavam cerca de duas horas para o pouso. A bordo do Airbus A350-900, aproximadamente 240 passageiros e tripulantes sentiram dois “solavancos em queda” muito fortes, concentrados em apenas 15 a 20 segundos. E isso aconteceu sem aviso prévio.
O que aconteceu no voo CX156 da Cathay Pacific
Relatos de caos dentro da cabine
Quem estava no avião descreveu um cenário de confusão: celulares arremessados para cima, café estourando no teto, bandejas de refeição espalhadas pelo corredor. “As pessoas gritavam. Muitas estavam realmente em pânico”, contou Nicholas Stevenson, um empresário australiano que viajava no voo. Uma passageira comparou a sensação a “cair em queda livre como num brinquedo de parque”, enquanto outro disse ter achado que “o avião ia cair”.
Explicação do piloto e atendimento aos feridos
Depois do ocorrido, o piloto informou que a turbulência intensa foi provocada por uma célula de tempestade, identificada tarde demais no radar por causa da escuridão. Entre os passageiros, quatro médicos ajudaram no atendimento aos dez feridos - seis tripulantes e quatro passageiros - enquanto a aeronave seguiu para Hong Kong.
Turbulência forte na hora do café da manhã
Oito dessas pessoas foram levadas ao hospital após o pouso; as outras duas receberam cuidados no próprio Aeroporto Internacional de Hong Kong. Equipes de saúde, bombeiros e ambulâncias já estavam mobilizados desde as 6h, antes mesmo da aterrissagem.
O número de feridos faz sentido quando se olha para o momento exato do incidente. A turbulência atingiu justamente quando a tripulação iniciava o serviço de café da manhã: comissários e comissárias estavam de pé, nos corredores, empurrando carrinhos. Isso evidencia como o pessoal de cabine fica exposto - ao contrário dos passageiros sentados e com cinto, eles não têm proteção quando a turbulência aparece de repente.
Esse tipo de situação não é excepcional. Em julho de 2025, um voo da Delta, de Salt Lake City para Amsterdã, enfrentou turbulência severa durante o serviço de jantar, fazendo carrinhos e pessoas sem cinto baterem no teto. Após um desvio de emergência para Minneapolis, 25 pessoas precisaram ser hospitalizadas.
Um fenômeno cada vez mais comum
No episódio da Cathay Pacific, tratou-se de turbulência em ar claro, descrita pela Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) como uma “turbulência severa súbita em regiões sem nuvens, causando impactos violentos na aeronave”.
Além disso, há indícios de que as turbulências estejam ocorrendo com mais frequência e força, para desespero de quem tem medo de voar. A explicação apontada é a mudança climática, que altera temperaturas e correntes atmosféricas em grandes altitudes.
Diante desse risco crescente, o recado das companhias aéreas é o mesmo: mantenha o cinto afivelado sempre que estiver sentado, independentemente de o aviso luminoso estar aceso ou não.
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