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MV Hondius deve chegar a Tenerife com 147 pessoas após mortes por hantavírus

Passageiros embarcando em navio de cruzeiro com funcionário em traje de proteção e tendas ao lado.

MV Hondius: chegada a Tenerife e plano de desembarque

O cruzeiro MV Hondius deve alcançar, na madrugada deste domingo, a ilha espanhola de Tenerife - a maior e mais habitada do arquipélago das Canárias - com 147 pessoas a bordo, depois de terem sido registradas três mortes entre infectados pelo hantavírus e de surgirem novos casos da doença. Como a maior parte dos passageiros - mais de uma centena de turistas de 23 nacionalidades - vai desembarcar em território espanhol, a ação contará com um forte esquema de segurança.

Após cumprir um período de quarentena em águas de Cabo Verde, a embarcação segue rumo às Canárias, sem que haja, até o momento, indicação de novos casos a bordo. Mesmo assim, as autoridades afirmam estar adotando todas as medidas para reduzir ao máximo qualquer risco de contágio na ilha.

A resposta está sendo organizada como uma megaoperação articulada com o governo espanhol, a Organização Mundial da Saúde (OMS), a União Europeia (UE) e os Países Baixos, destino final do navio. A previsão é que a embarcação chegue às Canárias entre 4h e 6h no horário local (mesma hora em Lisboa).

O Ministério da Saúde da Espanha descreve o dispositivo como uma “operação inédita” de uma “envergadura internacional” sem precedentes, planejada com todos os cuidados sanitários necessários.

O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, recorreu às redes sociais para agradecer o gesto de solidariedade da Espanha - um “dever moral”, nas palavras de Pedro Sánchez - e para tentar acalmar os moradores locais: "Sei que estão preocupados, que quando ouvem a palavra ‘surto’ ou ‘epidemia’ e veem um navio aproximar-se da costa ressurgem memórias que nenhum de nós superou completamente. Mas preciso que me ouçam com clareza: isto não é outra Covid-19”, assegurou.

Tedros reconhece que o alerta sanitário no navio, que saiu de Ushuaia, na Patagônia argentina, em 20 de março, reacendeu o temor de uma nova pandemia. Ainda assim, insiste que o cenário não se compara ao de 2020 e que o plano previsto para as Canárias é “cuidadoso” e “detalhado”.

Os passageiros serão transferidos para terra no porto industrial de Granadilla, longe de áreas residenciais, em veículos fechados e vigiados, através de um corredor completamente isolado, e repatriados diretamente para seus países de origem. Não haverá contacto com a população local”, garantiu Tedros Ghebreyesus.

Apesar disso, a OMS admite que os viajantes do cruzeiro são considerados “contactos de alto risco” e que precisam permanecer sob “vigilância ativa” por 42 dias.

Operação de segurança sem precedentes

Toda a logística foi desenhada em detalhes: o cruzeiro ficará fundeado, sem atracar no porto, e haverá um amplo perímetro de segurança. A retirada dos passageiros ocorrerá em várias lanchas (levando apenas poucos pertences pessoais) e, na sequência, eles serão conduzidos em veículos militares para repatriação aos respectivos países. Todos receberão máscaras de proteção FFP2, apontadas como as mais eficazes para proteção contra vírus. Já os tripulantes - entre eles um cidadão português - continuarão a viagem no próprio navio até os Países Baixos.

De acordo com as autoridades neerlandesas, 29 passageiros holandeses devem voltar aos Países Baixos já na manhã de domingo; 13 deles, em princípio, precisarão apenas cumprir uma quarentena de “seis semanas” em casa, caso não apresentem sintomas. A repatriação de passageiros de outras nacionalidades deve ser finalizada entre domingo e segunda-feira.

Pelo protocolo estabelecido, os passageiros espanhóis serão os primeiros a desembarcar e ficarão em quarentena por precaução. A Unidade de Isolamento do Hospital Universitário Nuestra Señora de la Candelaria, em Santa Cruz de Tenerife, foi indicada como preparada para receber eventuais doentes.

Hospital especializado em Tenerife

A unidade, vista como uma das referências na Espanha para tratar doenças infecciosas de alto risco, nunca havia sido acionada para um episódio como este. Ainda assim, dispõe de 50 profissionais de saúde, oito antecâmaras e tecnologia avançada, incluindo máscaras usadas em ataques nucleares e ‘macas-cápsula’ [de isolamento] para o transporte seguro de pacientes com doenças infecciosas, segundo o jornal “El Mundo.”

O Ministério da Saúde espanhol informou também que os passageiros terão acesso a uma linha de apoio psicológico 24 horas, além do acompanhamento de um psiquiatra desde o desembarque até a chegada a Madri, conforme relata o “El País”.

“Está tudo pronto para a chegada do cruzeiro”, afirmou a ministra da Saúde da Espanha, Mónica García, em coletiva de imprensa, reforçando que os demais passageiros seguem tranquilos e sem sintomas, embora peçam respeito à privacidade. “Vinte e três países estão envolvidos na retirada das pessoas do navio e estamos em coordenação com as autoridades sanitárias para que isto seja feito com as maiores garantias possíveis de segurança para a população e a saúde pública”, insistiu.

Até agora, três pessoas morreram - um casal holandês e um cidadão alemão - e foram contabilizados seis casos confirmados e oito suspeitos. A avaliação é que a cepa de hantavírus que atingiu os turistas do cruzeiro seja a andina, a única transmissível entre humanos, sendo normalmente transmitido pelo contato com excrementos ou secreções de roedores infectados.

No momento, há funcionários da OMS e do Centro Europeu de Controlo de Doença (ECDC) a bordo do navio.

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