Uma falha em um dos motores de um Airbus A319 da United Airlines gerou apreensão no Aeroporto Intercontinental George Bush, em Houston, nos Estados Unidos, e acabou em uma evacuação de emergência iniciada pelos próprios comissários após a situação na cabine sair do controle.
O episódio ocorreu em 2 de fevereiro de 2025, e seus detalhes foram divulgados agora em um relatório do National Transportation Safety Board (NTSB), órgão encarregado de apurar ocorrências de aviação civil nos EUA.
Falha no motor e decolagem abortada em Houston (voo UA-1382)
De acordo com o NTSB, a ocorrência envolveu o voo UA-1382. A aeronave acelerava na pista para decolar quando o motor direito apresentou um problema, acompanhado por um estrondo intenso. O ruído assustou os passageiros, e os pilotos cancelaram a decolagem imediatamente.
Com o avião já parado na pista, a tripulação de comando instruiu todos a permanecerem sentados enquanto eram cumpridos os procedimentos de emergência e feita a checagem do cenário. Ainda assim, passageiros que estavam mais próximos do motor com avaria disseram ter visto chamas na carenagem e passaram a gritar que havia fogo na aeronave.
O relatório registra que, naquele instante, não existia fumaça dentro da cabine e o motor afetado já estava desligado. Para os pilotos, não havia necessidade de evacuar de forma imediata. No interior do A319, porém, o ambiente rapidamente virou caos.
Pânico a bordo e evacuação iniciada pela tripulação de cabine
Na seção traseira do avião, dois comissários tentavam manter os protocolos de segurança enquanto parte dos ocupantes entrava em pânico. Alguns passageiros começaram a subir nos assentos para alcançar as saídas de emergência, ao mesmo tempo em que outros gritavam exigindo que as portas fossem abertas sem demora.
Segundo o NTSB, os comissários procuraram conter a agitação e informar que aguardavam orientações da cabine de comando. Um deles tentou contatar os pilotos para reportar o que ocorria, mas a tripulação técnica estava tomada pelas listas de emergência e pelas comunicações com o controle de tráfego aéreo.
Com a pressão aumentando e a dificuldade de controlar os passageiros, os dois comissários decidiram iniciar a evacuação por iniciativa própria. A primeira escolha foi a saída traseira esquerda, vista como a alternativa mais segura porque os relatos de fogo se concentravam no lado direito do avião. O ponto crítico é que eles não tinham conhecimento de que o motor esquerdo ainda estava em funcionamento.
O NTSB também observou que, sob forte tensão, os comissários não acionaram o alarme interno de evacuação - o sistema que avisaria de imediato os pilotos e o chefe de cabine sobre a abertura das portas.
Quando a porta traseira esquerda foi aberta, três passageiros passaram pelos tripulantes antes mesmo de o escorregador inflável estar totalmente armado e pularam para fora da aeronave. Apesar do perigo, não houve ferimentos graves.
Na sequência, o fluxo de ar gerado pelo motor esquerdo atingiu com força o escorregador de emergência, torcendo a estrutura e causando danos que deixaram o equipamento inutilizável. Por isso, a evacuação precisou ser redirecionada para outras saídas do A319.
Enquanto os comissários na parte traseira abriram a saída direita, o chefe de cabine, ao mesmo tempo, começou a evacuação pela porta dianteira esquerda. O NTSB destacou que o caso ilustra o quanto pode ser difícil para as tripulações controlarem passageiros em situações críticas, sobretudo quando o medo coletivo leva ao descumprimento de comandos de segurança.
O órgão acrescentou que o treinamento de comissários dá ênfase ao controle assertivo da cabine durante evacuações, mas ressaltou que o comportamento dos passageiros pode se alterar de forma abrupta, mesmo sem confirmação de incêndio ou presença de fumaça.
Bagagens, lições do NTSB e paralelo com a British Airways
Outro elemento que piorou a evacuação foi o fato de passageiros terem retirado bagagens de mão. Para os investigadores, essa atitude atrasou de maneira relevante o desembarque de emergência e elevou os riscos ao longo da operação.
O tema já havia motivado o NTSB a emitir, em 2024, um alerta de segurança pedindo que companhias aéreas reforcem as orientações aos passageiros sobre os perigos de tentar pegar malas durante uma evacuação.
Os investigadores também compararam o ocorrido ao acidente com um Boeing 777 da British Airways em Las Vegas, em setembro de 2015. Naquele caso, uma falha grave de motor igualmente desencadeou pânico na cabine após uma decolagem abortada.
Com a demora na ordem oficial para evacuar, a tensão entre os passageiros aumentou, e um dos comissários relatou depois que chegou a considerar iniciar a evacuação sem autorização, diante da dificuldade em manter o controle da situação.
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