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Santo Stefano di Sessanio: a aldeia medieval de Abruzzo que pagava para atrair moradores em 2020 e voltou a viralizar em 2026

Jovem visitando homem idoso em vila de pedra com laptop, documentos e cesta de frutas.

Ruas medievais de pedra, neve cobrindo as montanhas no inverno e um silêncio noturno que muita gente nem lembra como é. Em 2020, uma aldeia italiana nos Apeninos criou um programa para remunerar quem aceitasse se mudar para lá de forma definitiva. O assunto voltou a explodir nas redes em 2026 - e segue despertando curiosidade em quem quer trocar a correria urbana por uma rotina radicalmente diferente.

A aldeia medieval que decidiu ir buscar seus próprios moradores

Encaixada nos Apeninos, na região italiana de Abruzzo, Santo Stefano di Sessanio tem só 115 habitantes registados. No dia a dia, porém, quem permanece o ano inteiro gira em torno de 60 a 70 pessoas. Apenas 13 moradores têm menos de 20 anos, e quase metade da população já passou dos 65. Com a perda constante de moradores, até a manutenção de serviços essenciais começou a ficar ameaçada - um risco real para uma aldeia que conserva arquitetura e hábitos medievais pouco comuns na Europa.

Foi nesse cenário que o prefeito Fabio Santavicca lançou, em outubro de 2020, um plano de repovoamento que não se limitava ao modelo do “imóvel por 1 euro” adotado por outras cidades italianas. A proposta era oferecer condições práticas para que novas pessoas conseguissem construir uma vida sustentável em Santo Stefano di Sessanio - e não apenas passar uma temporada nas montanhas.

  • Subsídio anual: até 8.000 euros por ano, durante três anos seguidos, apenas por residir na aldeia
  • Moradia simbólica: aluguer muito abaixo do que se paga em qualquer cidade italiana
  • Apoio ao negócio: até 20.000 euros para abrir um empreendimento ligado a turismo, gastronomia, serviços de guia ou produtos locais
  • Residência mínima: compromisso de viver efetivamente na aldeia por cinco anos
  • Parque Nacional vizinho: proximidade do Gran Sasso e Monti della Laga, que assegura movimento turístico ao longo do ano

Quem podia se candidatar e o que a aldeia esperava em troca

O programa rural em Abruzzo não foi pensado para quem queria “mudar de ares” por pouco tempo. A seleção dava preferência a candidatos de 18 a 40 anos, dispostos a assumir uma permanência mínima de cinco anos. Cidadãos da União Europeia tinham um processo mais simples, mas italianos que viviam fora do país e estrangeiros com autorização de residência permanente na UE também podiam concorrer - desde que apresentassem um plano de negócio considerado viável.

Para o município, algumas ocupações eram tratadas como prioritárias: guias turísticos e desportivos, profissionais de manutenção local, operadores de comércio, agricultores e produtores de itens típicos. Além da capacidade profissional, a proposta pedia uma integração real com a vida comunitária - algo tão valorizado quanto qualquer currículo. Quem chegasse teria de estar confortável numa comunidade em que todos se conhecem pelo nome.

1.500 candidaturas em semanas e um detalhe que quase ninguém menciona

A repercussão do projeto de Santo Stefano di Sessanio ultrapassou, e muito, o que se imaginava. De acordo com a CNN, aproximadamente 1.500 pessoas enviaram candidatura apenas nas primeiras semanas após o anúncio, em outubro de 2020. Para uma localidade com menos de 70 residentes permanentes, o volume impressionou os próprios organizadores e colocou a iniciativa no noticiário internacional.

Atenção: o programa já está encerrado

As inscrições foram encerradas em novembro de 2020

O programa de repovoamento de Santo Stefano di Sessanio começou em outubro de 2020 e aceitou candidaturas até novembro do mesmo ano. Embora o tema tenha voltado a viralizar nas redes sociais em 2026, a iniciativa original foi encerrada há anos. A plataforma Life in Abruzzo confirmou de forma explícita que as inscrições já não estão disponíveis.

Se a sua intenção é mudar-se para Abruzzo, ainda dá para procurar diretamente a prefeitura de Santo Stefano di Sessanio e perguntar se existe algum novo programa em andamento. Porém, até ao momento, não há uma nova fase de candidaturas aberta para este programa específico.

O interesse em Santo Stefano di Sessanio mostra que a história vai além do incentivo financeiro. Entre os perfis mais frequentes apareceram designers, fotógrafos, escritores, consultores e profissionais de tecnologia. Com o trabalho remoto, o que antes parecia um “adeus” à carreira tornou-se possível em termos geográficos - e, desde então, a procura por alternativas às grandes cidades só cresceu.

Como é viver nessa aldeia no dia a dia real

A cerca de 1.300 metros de altitude, Santo Stefano di Sessanio enfrenta invernos frios e com neve. No verão, o clima fica ameno, as vistas se abrem sobre as montanhas e os visitantes chegam em fluxo contínuo, atraídos pelo património histórico e pela vizinhança com o Parque Nacional Gran Sasso e Monti della Laga. Por ser apontada como uma das aldeias medievais mais bem preservadas da Itália, a região mantém uma procura turística relativamente estável - um fator importante para quem pretende empreender.

A rotina, no entanto, pede ajustes que quem vive em metrópoles quase nunca precisa considerar. Supermercados maiores e atendimento hospitalar de maior complexidade ficam a dezenas de quilómetros, e ter carro deixa de ser opção para virar necessidade. Ainda assim, quem se mudou de forma permanente para Abruzzo raramente descreve isso como algo intolerável: a falta de engarrafamentos, o silêncio real à noite, a proximidade entre vizinhos e a paisagem montanhosa constante tendem a compensar cada deslocamento.

O que a história de Santo Stefano di Sessanio revela sobre o futuro das cidades pequenas

O que acontece em Abruzzo não é um caso isolado. Em Itália, Espanha e Portugal, centenas de municípios rurais convivem com envelhecimento populacional e a saída dos mais jovens em direção às capitais. Nos últimos anos, multiplicaram-se iniciativas de incentivo ao repovoamento, e Santo Stefano di Sessanio virou referência internacional justamente por combinar ajuda financeira com apoio estruturado para abrir negócios.

O facto de cerca de 1.500 pessoas se candidatarem, em poucas semanas, a viver numa aldeia com menos de 70 residentes permanentes diz muito sobre como cresceu o desejo por uma vida mais lenta, mais conectada à natureza e com relações humanas em escala menor. A história de Santo Stefano di Sessanio acabou por simbolizar uma pergunta que cada vez mais gente se faz: afinal, o que pesa mais?

No fim das contas, esta aldeia medieval nos Apeninos não está apenas a tentar manter-se de pé como comunidade. Mesmo sem intenção, colocou um espelho diante de quem mora em grandes cidades e já se perguntou - mais de uma vez - se não existe outra forma de organizar a própria vida.

Se este caso te fez repensar possibilidades que ainda não tinham passado pela sua cabeça, envie para alguém que também gosta de descobrir que o mundo tem cantos surpreendentes e cheios de significado.

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