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Código de Comportamentos de Albufeira completa um ano e aponta menos abusos de turistas

Agente de segurança em colete refletivo conversa com três jovens em rua de cidade histórica com calçamento de pedra.

Um ano do Código de Comportamentos de Albufeira

O Código de Comportamentos do município de Albufeira completou um ano em vigor com registro de "menos abuso" por parte de turistas, embora, segundo o presidente da Câmara Municipal, ainda precise passar por revisão e contar com mais fiscalização direta.

Na marca de 12 meses desde a implementação do regulamento - que veda a nudez fora das praias e prevê multas para condutas abusivas de visitantes - a agência Lusa ouviu também a Associação Comercial de Albufeira (ACALB). A entidade disse lamentar que a regulamentação tenha avançado de maneira "desadequada" e "excessivamente punitiva", sem dar prioridade a ações de caráter educativo.

Fiscalização e sensibilização na rua e na rede hoteleira

Em declarações à Lusa, o presidente do município afirmou que a Polícia Municipal "anda na rua a fiscalizar" o cumprimento do Código de Comportamentos. Segundo ele, houve ainda "uma ação de sensibilização" em hotéis e em estabelecimentos comerciais, com o objetivo de repassar informações aos turistas que chegam a Albufeira, embora reconheça que "é necessário continuar o trabalho" de conscientização junto aos visitantes.

Ao ser questionado sobre a aplicação de multas no âmbito das novas regras - que preveem sanções para nudez e para circular de biquíni ou roupa de banho em áreas públicas - o autarca disse que já houve casos de pessoas autuadas, mas não soube indicar quantos.

De acordo com Rui Cristina, a Polícia Municipal de Albufeira é "parca" em efetivo, com "nove efetivos de rua". Ainda assim, está previsto que, até o fim deste ano, sejam incorporados mais cinco ou seis agentes, que vão "engrossar fileiras para fiscalizar e para sensibilizar" os turistas.

"Acho que este ano [...] está a haver melhor comportamento por parte dos turistas, menos abuso, e o que nós queremos é sensibilizar quem nos visita que não pode ter este tipo de atuação", afirmou.

O município também está fazendo uma análise jurídica do Código de Comportamentos "para fazer algumas alterações a curto prazo". A expectativa, segundo o presidente, é que ajustes entrem em vigor ainda durante o verão e ajudem a "limar algumas arestas".

Críticas e propostas da Associação Comercial de Albufeira (ACALB)

A ACALB reiterou que discorda de "os moldes em que este documento foi desenhado e aprovado" e lembrou os alertas que fez sobre uma regulamentação "excessivamente punitiva e impositiva de comportamentos individuais". Para a associação, o texto "poderia ser entendida como invasiva das liberdades individuais, colocando em causa a imagem do destino e a convivência em comunidade".

"Somos totalmente a favor da qualidade de vida de quem aqui habita, mas tem de haver bom senso e equilíbrio. O dia em que Albufeira perder o turismo, o concelho perde os seus residentes também", alertou a associação.

A entidade associativa criticou a aprovação do código "sem o cumprimento do artigo 99.º do Código do Procedimento Administrativo (CPA), que obriga à realização de um estudo de impacto custo-benefício para demonstrar a real necessidade e proporcionalidade das normas". Também questionou a existência de "regras altamente subjetivas sobre prática desportiva, vestuário (nudez parcial ou total fora das praias) ou sobre manifestações ruidosas", por considerar que "colidem com direitos fundamentais e dificultam uma aplicação justa".

"Precisamos que sejam reavaliadas estas medidas e outras que recentemente entraram em vigor, como a limitação do ruído para valores impossíveis de aplicar. Por exemplo, o camião do lixo a passar na rua faz mais barulho do que os bares estão autorizados a fazer", propôs a associação, defendendo ainda a revisão do "horário de funcionamento que mitiga as atividades económicas ligadas ao turismo".

Para a ACALB, é "urgente" discutir quais medidas devem ser adotadas para que "turismo e população residente possam viver em harmonia". A entidade também advertiu que "a solução para os problemas não pode ser tomada por decreto".

"É como proibir a circulação automóvel para acabar com os acidentes de viação, não é este o caminho. Temos de tomar medidas que alterem e corrijam algum comportamento excessivo, que muitas vezes é apenas pontual, não podemos generalizar a exceção", argumentou.

O Código de Comportamentos de Albufeira - município que concentra cerca de metade da oferta hoteleira do distrito de Faro - entrou em vigor em 24 de junho de 2025.

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