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Volotea adota suplemento de querosene e isso pode virar norma

Homem no aeroporto segurando celular e cartão de embarque com avião ao fundo e mala com café.

Arthur, que tinha um voo marcado para Toulouse com a Volotea, recebeu um aviso inusitado da companhia alguns dias antes de embarcar. Mesmo com a passagem já paga, foi informado de que precisaria desembolsar mais 11 euros para manter o seu assento a bordo - um tipo de cobrança que, infelizmente, pode acabar se tornando comum.

O gatilho para esse cenário é o bloqueio do estreito de Ormuz, uma rota estratégica por onde passa cerca de 20% dos hidrocarbonetos do planeta. Há semanas, o fechamento do corredor pelo Irã vem provocando um impacto gigantesco nos mercados globais de energia.

Com isso, o preço do petróleo entrou em uma fase de volatilidade extrema e, por efeito direto, o querosene de aviação também. Desde o início do conflito, o valor do combustível praticamente dobrou. Para as companhias aéreas, a equação fica quase impossível: não dá para estimar com segurança quanto um voo vai custar daqui a três meses.

Volotea e o suplemento de querosene

Diante desse contexto, a Volotea decidiu mudar a forma de cobrar. A low-cost espanhola passou a oferecer aos passageiros a opção de pagar um complemento tarifário - limitado a 14 euros - sete dias antes da viagem. O valor é calculado com base no preço do querosene no momento desse cálculo, e não no momento em que a reserva foi feita.

Para sustentar a medida, a Volotea cita a guerra no Irã. Segundo a empresa, "a extrema volatilidade atual dos mercados energéticos, devida sobretudo à instabilidade geopolítica no Oriente Médio, já não permite qualquer previsibilidade nesse aspecto", afirma em comunicado.

Por outro lado, se as cotações do querosene caírem entre a compra e o voo, a Volotea diz que devolverá aos clientes a diferença. E, se o viajante não aceitar pagar o adicional, ele pode cancelar a passagem sem multa. Uma advogada ouvida pela BFMTV ressalta que a prática é permitida, desde que cumpra três condições: "a transparência nas informações aos consumidores, a transparência na comunicação das regras de cálculo e a possibilidade de cancelar sem custos caso se recuse a revisão".

Na prática, isso significa que a Volotea deixa de prometer um preço fechado: ela passa a trabalhar com um preço mínimo, que pode subir ou descer conforme o mercado.

Outras companhias em dificuldade

A Volotea não é um caso à parte. Em toda a Europa, as empresas do setor estão sentindo com força a alta do querosene, e os alertas vêm se acumulando. A EasyJet comunicou perdas projetadas entre 540 e 560 milhões de libras esterlinas no primeiro semestre do seu exercício 2025-2026. Só em março, compras de querosene feitas a preço de mercado em tempo real custaram 25 milhões de libras a mais para a companhia britânica, elevando em cerca de 5% o custo unitário de cada assento.

Na Transavia, a low-cost do grupo Air France-KLM, a resposta foi mais dura: a empresa cancelou diversos voos programados para maio e junho de 2026, o que corresponde a aproximadamente 2% da sua malha no período. Além disso, as passagens já ficaram, em média, 10 euros mais caras. Na Alemanha, a Lufthansa foi ainda mais longe, encerrando de vez o serviço CityLine e retirando 20.000 voos da sua programação.

O quadro ainda pode piorar. Willie Walsh, diretor-geral da Associação do Transporte Aéreo Internacional (IATA), avaliou recentemente que "no fim de maio, poderíamos começar a ver na Europa alguns cancelamentos de voos por falta de combustível de aviação".

Nossa análise

Com a crise, cresce o receio de que o modelo da Volotea se espalhe. Se outras companhias passarem a adotar um suplemento variável desse tipo, o preço mostrado no momento da compra perderia parte do seu significado. Isso pode atingir muitos viajantes, especialmente com a proximidade das férias de verão.

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