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Decisão da Air France de voltar a sobrevoar a Líbia gera polêmica

Piloto masculino em uniforme operando instrumentos na cabine moderna de um avião durante o voo ao amanhecer.

A decisão mais recente da companhia aérea francesa tem dado o que falar.

Nas últimas semanas, a escalada de tensões no Oriente Médio continua a afetar diversos setores no mundo todo. Com o preço do querosene de aviação em alta, as passagens ficam mais caras - e, mesmo para quem já comprou bilhete, os transtornos para os viajantes ainda não terminaram. Nesse cenário incomum, a Air France anunciou uma medida que vem sendo amplamente contestada.

Air France volta a sobrevoar a Líbia em algumas rotas

A Air France informou que voltará a cruzar o espaço aéreo da Líbia em determinados voos. Hoje, a recomendação é evitar sobrevoar o país devido a uma instabilidade que pode representar riscos tanto para os passageiros quanto para as tripulações. Ainda assim, a companhia busca reduzir o consumo de combustível.

Arriscado, mas mais económico?

A guerra no Irã fez o preço do querosene disparar na Europa. Apenas alguns dias após os ataques americanos em 28 de fevereiro de 2026, o combustível registou um aumento de 50%. Com as empresas aéreas preocupadas com a alta temporada do verão, elas tentam poupar onde for possível.

É nesse contexto que a Air France comunicou a retomada do sobrevoo do espaço aéreo líbio em algumas rotas com destino à África. Ao passar por cima da Líbia, a companhia poderia economizar quase uma hora em voos para Kinshasa (República Democrática do Congo) e Joanesburgo (África do Sul) - uma redução de tempo que se traduz em economia relevante para a empresa.

Sindicatos, EASA e a autorização da DGAC

Embora a Direção-Geral da Aviação Civil (DGAC) tenha autorizado a mudança, a decisão levantou forte apreensão entre sindicatos, que questionam a segurança de tripulações e passageiros. Mesmo com companhias estrangeiras a sobrevoarem a Líbia com frequência - como Qatar Airways, Emirates, Egyptair e Turkish Airlines -, a Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) recomenda evitar a passagem pelo país. A entidade teme, em especial, o risco de disparo de míssil ou a ocorrência de incidentes num espaço aéreo considerado pouco seguro.

Do lado sindical, o Sindicato Nacional do Pessoal Navegante Comercial (SNPNC-O) classifica a iniciativa como “irresponsável”. Vale lembrar que, desde a queda de Muammar Kadhafi em 2011, dois executivos disputam o poder e, recentemente, ocorreram combates em Trípoli.

A Air France afirma que a DGAC validou um corredor específico considerado seguro e que o comandante da aeronave pode sempre alterar a rota se entender que a situação é arriscada. Dessa forma, a companhia sustenta que a segurança dos passageiros e do seu pessoal continua a ser a prioridade.

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