Maio marca a largada do verão, mas 2024 começou diferente
Na Tunísia, maio geralmente sinaliza o começo do pico turístico do verão. Só que, com a guerra no Oriente Médio repercutindo em toda a região, este maio tem fugido do padrão.
Djerba sente o conflito no bolso: petróleo, querosene e passagens mais caras
Segundo autoridades do setor, a retração no turismo está ligada aos efeitos do conflito, que impulsionou os preços do petróleo e encareceu as viagens - mesmo a milhares de quilômetros de distância, como na ilha tunisina de Djerba.
Anane Kamoun, diretor do hotel Royal Garden Palace, na ilha, afirmou à agência AFP que as reservas caíram pela metade. "Quando os preços do petróleo sobem, os bilhetes de avião sobem, e é aí que os turistas começam a reconsiderar o custo", explicou Kamoun.
Desde o início do ano, o preço do querosene dobrou, o que levou companhias aéreas a reajustarem as tarifas; algumas, inclusive, chegaram a cancelar voos com baixa rentabilidade.
Peso do turismo na economia da Tunísia e números recentes de Djerba
O turismo, responsável por 10% do PIB da Tunísia, também se prepara para efeitos negativos sobre o mercado de trabalho, já que normalmente emprega cerca de 400 mil pessoas.
No ano passado, Djerba recebeu um recorde de 1,2 milhões de turistas - alta de 5% em relação ao ano anterior e ligeiramente acima da melhor marca anterior, registrada em 2019, antes da pandemia. Os dados são do Gabinete Nacional de Turismo da Tunísia.
Para este ano, as autoridades projetavam crescimento de até 8%, mas os acontecimentos recentes na região derrubaram a expectativa de mais um ciclo recorde.
Ainda assim, a Tunísia conta com uma vantagem importante: o país mediterrâneo está a apenas duas horas de voo da maior parte das capitais europeias. "O aumento dos preços do querosene não será sentido da mesma forma que nas viagens de longa distância", informou o mesmo gabinete.
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