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Disputa nas listas de antiguidade entre Korean Air e Asiana Airlines ameaça consolidação em 17 de dezembro de 2026

Três pilotos em reunião no aeroporto, um deles segurando documentos, com aviões ao fundo.

A integração operacional entre a Korean Air e a Asiana Airlines entrou em uma fase de forte instabilidade na cabine de comando. Os sindicatos de pilotos das duas companhias levaram o impasse às esferas cível e criminal por causa da política de unificação das listas de antiguidade, o que ameaça o cronograma de consolidação definitiva previsto para 17 de dezembro de 2026.

Disputa judicial entre os sindicatos de pilotos da Korean Air e da Asiana

A contenda no Judiciário ganhou forma quando o Sindicato de Pilotos da Korean Air (KAPU, na sigla em inglês) protocolou uma ação por difamação e injúria contra lideranças do Sindicato de Pilotos da Asiana Airlines (APU). A iniciativa foi motivada por falas atribuídas ao presidente da APU, Choi Do-sung, feitas em espaços internos, nas quais ele insinuou que os pilotos da Asiana teriam competências superiores em razão de diferenças históricas nos modelos de recrutamento.

Os critérios regulatórios adotados pelas duas empresas são bem distintos. A Korean Air estipula, para copilotos vindos da aviação civil, um mínimo de 1.000 horas de voo. Já a Asiana, em determinados processos seletivos, manteve um piso de entrada de 300 horas, segundo o portal Aviacionline, parceiro do AEROIN.

Em plataformas sindicais, Choi sustentou que, enquanto copilotos da Korean Air acumulavam horas em aeronaves a hélice antes de serem contratados, os profissionais da Asiana teriam construído essa experiência diretamente em jatos comerciais de grande porte, operando rotas complexas a partir de seu principal hub.

Pela KAPU, a reação foi a de que a reputação de suas tripulações teria sido seriamente atingida por informações consideradas falsas. A escalada foi rápida: as bases sindicais aprovaram autorização para greve com apoio de 80% dos filiados, criando margem para ações coletivas capazes de interferir na malha regular de voos.

Como as listas de antiguidade afetam promoções a comandante

No setor aéreo sul-coreano, os mecanismos de antiguidade determinam com rigor o acesso a promoções para comandante, a distribuição de rotas internacionais e também as faixas salariais. A Korean Air planeja promover 154 pilotos no próximo ano e mais 174 no ano seguinte. Com a inclusão direta de entre 70 e 80 copilotos da Asiana na lista unificada, os tempos de espera dos pilotos atuais são alterados, empurrando promoções por vários anos.

O Manual de Administração de Operações de Voo (FOAM) da Korean Air define que, para chegar à avaliação de promoção a comandante, o piloto precisa cumprir cinco anos de serviço efetivo como copiloto, somar entre 2.500 e 3.000 horas de voo após a contratação e registrar ao menos 350 pousos. Especialistas sindicais apontam que a unificação dos registros apenas pela data de ingresso afeta diretamente profissionais que entraram por processos seletivos com exigências muito mais rigorosas.

Antecedentes: o caso Airzeta e a crise trabalhista no pós-crise sanitária

O embate sobre antiguidade não é inédito no contexto de reestruturação estatal iniciada após a crise sanitária. A cargueira Airzeta viveu uma disputa semelhante depois de incorporar a divisão de cargas da Asiana Airlines. Em abril, o sindicato da empresa recorreu à Comissão Regional de Relações Trabalhistas de Incheon ao identificar que copilotos prontos para a promoção ao comando de aeronaves Boeing 737 tiveram o avanço postergado até a posição número 100, em função de uma unificação baseada somente no ano de contratação.

O Ministério da Terra, Infraestrutura e Transporte (MOLIT) da Coreia do Sul acompanha o agravamento do conflito trabalhista. Pela legislação local, a aviação comercial é classificada como serviço público essencial, o que impõe a manutenção de um índice operacional mínimo de 80% nas rotas internacionais em caso de greve geral. Ainda assim, a deterioração do clima interpessoal chegou ao ponto de tripulantes de ambas as empresas demonstrarem resistência em dividir a cabine de comando.

Certificações, OpSpecs e a postura da ALPA-K

Para reduzir riscos operacionais ligados à fusão de ativos estimada em 101,7 bilhões de wones (cerca de 68,3 milhões de dólares), a direção central da Korean Air pretende solicitar em junho a alteração de suas Especificações Operacionais (OpSpecs). A ideia é incorporar as aeronaves e os sistemas de gerenciamento de segurança da Asiana sob o próprio Certificado de Operador Aéreo (AOC). Por sua vez, a Associação de Pilotos de Linhas Aéreas da Coreia (ALPA-K) decidiu permanecer completamente neutra, descrevendo o caso como tema estrito de negociação coletiva, fora do escopo de suas atribuições relacionadas à segurança operacional.

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