Visitas técnicas do MPor e da UFSC em São Paulo
O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) promoveu, na semana passada, uma agenda de visitas técnicas a terminais de carga e centros logísticos em São Paulo, em conjunto com pesquisadores do Laboratório de Transportes e Logística (Labtrans), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A ação faz parte do estudo coordenado pelo ministério para identificar desafios, gargalos e oportunidades de melhoria no transporte aéreo de cargas no Brasil.
O impulso do e-commerce no país vem elevando a necessidade de operações logísticas mais ágeis, eficientes e conectadas. Nesse cenário, a carga aérea ganha caráter estratégico para encurtar prazos de entrega e reforçar a ligação entre mercados internos e internacionais.
Terminais TECA de Viracopos (VCP) e Guarulhos (GRU) e centros logísticos
Ao longo de três dias, técnicos do MPor e pesquisadores da UFSC estiveram nos Terminais de Carga Aérea (TECA) de Viracopos (VCP) e Guarulhos (GRU), que, somados, representaram 38% da movimentação de carga aérea do país em 2025.
Além dos terminais, a equipe também visitou centros logísticos de empresas como Amazon, DHL, Latam Airlines e Cainiao (braço logístico da AliExpress), bem como a Ajun, responsável pelo transporte de encomendas de plataformas como Shein, Temu e Shopee.
Quatro eixos do estudo e acompanhamento das operações
A etapa de campo foi organizada em quatro frentes principais: infraestrutura, sustentabilidade, cadeia de segurança e crescimento do e-commerce. Durante as visitas, os técnicos acompanharam de perto os fluxos logísticos de importação e exportação, as fases de desembaraço fiscal e as práticas operacionais aplicadas pelas empresas.
Exemplo observado: parceria logística entre Amazon e Azul
Entre os casos analisados, chamou atenção a parceria logística entre a Amazon e a Azul Linhas Aéreas. Pelo modelo, a empresa de comércio eletrônico prepara, inspeciona e paletiza as cargas conforme os padrões exigidos pela companhia aérea antes do embarque. Na prática, isso elimina etapas, melhora o fluxo logístico e reduz custos no transporte das mercadorias.
Para o secretário Nacional de Aviação Civil (SAC), Daniel Longo, experiências desse tipo podem orientar o aperfeiçoamento dos processos de importação e do transporte aéreo de carga no Brasil. “Como governo, precisamos entender como esses modelos funcionam, dialogar com os órgãos reguladores, como a Anac, com os operadores e avaliar políticas que simplifiquem procedimentos e possam reduzir custos para empresas e consumidores”, afirmou.
O estudo pretende avaliar como o setor pode se estruturar para absorver o aumento de encomendas movimentadas por plataformas digitais e operadores logísticos. A meta do MPor é converter esse aprendizado em subsídios para políticas públicas e em medidas que evidenciem os principais gargalos do segmento, apontando caminhos para reforçar a infraestrutura, elevar a competitividade e apoiar a expansão das operações logísticas no país.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário