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Incêndio em Xertelo, Montalegre, no Parque Nacional da Peneda-Gerês mobiliza 104 operacionais e nove meios aéreos

Bombeiro equipado observa incêndio florestal em área montanhosa com helicópteros sobrevoando no céu.

Situação do combate e recursos mobilizados

O incêndio em Xertelo, no concelho de Montalegre, dentro do Parque Nacional da Peneda-Gerês, deflagrou em três pontos diferentes e, segundo os bombeiros, está a ceder ao combate.

"Neste momento, o incêndio está a ceder aos meios", disse à agência Lusa o comandante dos Bombeiros de Salto, Hernâni Carvalho, no ponto de situação feito às 18h30.

De acordo com a página da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, às 18h50 estavam no terreno 104 operacionais, 24 viaturas e nove meios aéreos.

Os meios aéreos não atuam todos ao mesmo tempo. Conforme explicou o comandante, o objetivo é organizar um planejamento para que essas aeronaves se revezem no teatro de operações e mantenham o apoio às equipes no terreno.

Área atingida e impacto ambiental no Parque Nacional da Peneda-Gerês

Segundo o responsável, o fogo começou por volta das 21h de segunda-feira. O incêndio avança em uma área sobretudo de mato, ainda que em pleno Parque Nacional da Peneda-Gerês, já no distrito de Vila Real.

Hernâni Carvalho estimou que cerca de "200 hectares já afetados" se encontram em uma zona sensível, classificada como reserva da biosfera.

"Há espécies únicas no parque e temos identificadas algumas manchas, de espécies mais diferenciadas, que temos conseguido proteger, mas é sempre de lamentar. É um prejuízo ambiental grande para o parque nacional", destacou.

Suspeita de origem humana e dificuldades do terreno

Questionado sobre como o incêndio começou, o comandante respondeu: "A investigação da causa dos incêndios compete à GNR, mas a mim não me sobram dúvidas de que há mão humana por trás disto, porque àquela hora não há outra explicação que não a intenção deliberada de alguém provocar o incêndio, até porque ele começou em três locais distintos".

O comandante caracterizou o fogo como um "incêndio complexo, que decorre a mais de mil metros de altitude", em uma área de "orografia muito complicada e muito difícil para a progressão das equipas".

"E só a conjugação de esforços entre o apoio aéreo e as equipas terrestres tem permitido que tenhamos a esta hora boas perspectivas de conseguir solucionar o problema", afirmou, ressaltando que o trabalho é demorado e exige grande esforço físico dos operacionais.

Ainda assim, acrescentou que "finalmente começa a evoluir de forma muito favorável", por se tratar de "um incêndio claramente topográfico" e porque os "operacionais têm demonstrado um grande empenhamento".

No local, as temperaturas estão altas e, durante o dia, houve alguns períodos de "vento mais intenso".

"É sempre um quadro complexo aliando a orografia à meteorologia", reforçou.

Durante a manhã, devido ao nevoeiro, não foi possível empregar os meios aéreos, que só começaram a atuar a partir das 12h.

Vila Real está entre os distritos abrangidos pela situação de alerta, prorrogada até quinta-feira, devido à manutenção da onda de calor e às previsões meteorológicas ainda de grande adversidade.

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