Horários suprimidos pela AVMinho
A Auto Viação do Minho (AVMinho) comunicou que vai retirar dois horários do ônibus expresso diário que liga Melgaço ao Porto, com efeito a partir de 1º de julho. A mudança atinge as viagens Melgaço–Viana do Castelo–Porto, às 5h15, e Porto–Viana do Castelo–Melgaço, às 12h15.
Preocupação com transporte de pacientes e reação da prefeitura de Melgaço
O aviso gerou apreensão entre moradores, já que há quem diga que esses horários são usados, sobretudo, por pacientes que se deslocam para atendimentos de saúde em Viana do Castelo e no Porto, incluindo o IPO.
O prefeito de Melgaço, José Albano Domingues, questionado sobre o tema na assembleia municipal de sábado, afirmou que lamenta a decisão da empresa e entende que se trata de uma perda para o município. Ainda assim, sustenta que "felizmente, existem alternativas" e avalia que a retirada dos dois horários pode abrir espaço para outros operadores já presentes na região.
Alternativas apontadas e falta de contato do município
Em declarações ao Jornal de Notícias (JN), o prefeito reforçou que há outras formas de deslocamento disponíveis para quem precisa de consultas e tratamentos em Viana do Castelo, em Braga ou no Porto: "Existem alternativas, felizmente, para as pessoas que, por problemas de saúde e de tratamentos, procuram instituições seja em Viana do Castelo, em Braga ou no Porto. Muitas vezes, as pessoas, por uma questão de comodidade, vão em viaturas próprias ou pedem a amigos, ou vão em veículos de aluguer. E há outras linhas, designadamente a das 6.55 horas da mesma empresa e da Rede Expressos", declarou, acrescentando que a AVMinho não entrou em contato com a prefeitura.
Segundo Albano Domingues, o que chegou ao seu conhecimento é que a empresa teria procurado as prefeituras dos municípios atravessados pelo trajeto, com o objetivo de obter subsídio para manter a linha. No entanto, destaca que isso não ocorreu formalmente com Melgaço: "Tanto quanto me foi dado a saber, a empresa teria contactado as câmaras dos municípios que são atravessados pelo circuito, porque pretendia que subsidiassem financeiramente essa carreira, mas não houve qualquer contacto formal com o município de Melgaço", afirmou.
O prefeito acrescentou que, caso a supressão se confirme e mesmo admitindo que a procura possa não corresponder ao esperado do ponto de vista comercial, resta lamentar: "A confirmar-se a supressão desta carreira e concordando que poderá não ter, de facto, a procura desejável, na perspectiva comercial da empresa, nós só temos que lamentar. Estamos do lado da população e gostaríamos que as carreiras fossem aumentadas", defendeu.
Rede Expressos e o espaço para outros operadores
Para Albano Domingues, a retirada desses dois horários também pode significar uma brecha para outras empresas ampliarem a atuação, citando especificamente a Rede Expressos, que teria voltado a operar em Melgaço após duas décadas: a perda dos horários seria "uma oportunidade que se abre para outros operadores, nomeadamente, para uma empresa que recomeçou, ao fim de 20 anos, a fazer transportes em Melgaço, que é a Rede Expressos", disse.
Possível antecipação à rede intermunicipal do Alto Minho
O prefeito afirmou ter "noção" de que o município "está na pontinha do país" e enfrenta despovoamento e baixa densidade, o que pode reduzir o interesse de uma empresa que busca retorno financeiro. Ao mesmo tempo, ressalvou que os municípios não devem interferir na estratégia comercial do operador, nem "injetar dinheiro e subsidiar as empresas privadas desta forma".
Na avaliação de Albano Domingues, a decisão pode ser também "uma medida antecipatória" da AVMinho diante da futura operação da nova rede intermunicipal de transportes do Alto Minho. O processo de licitação está em andamento e prevê a adjudicação a um único operador.
O prefeito relaciona esse movimento ao concurso lançado pelos 10 municípios do Alto Minho, que, segundo ele, "criará, para um prazo de cinco anos, 125 linhas, num projeto que envolve mais de 30 milhões de euros". E aponta ainda um impacto esperado quando a concessão começar a operar: com o vencedor em campo, "vai secar muito daquilo que é a procura das empresas que estão a operar neste momento".
O Jornal de Notícias tentou entrar em contato com a empresa do grupo AVIC, mas não obteve resposta até o momento.
Albano Domingues disse esperar que a rede intermunicipal de transportes do Alto Minho entre em funcionamento ainda em 2026, de modo a "colmatar algumas falhas" que persistem hoje na mobilidade da população na região.
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