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Tempestades Nils e Pedro destroem a duna na praia da Lède, em Saint-Palais-sur-Mer

Mulher abraça árvore marcada com X vermelho em área de desmatamento próximo à praia.

O inverno de 2025-2026 foi implacável no litoral francês. Entre as tempestades Nils e Pedro, a costa na região de Charente foi atingida por um episódio de rara violência, levando as autoridades a adotarem medidas drásticas.

Tempestades Nils e Pedro e o avanço do mar em Saint-Palais-sur-Mer

Em Saint-Palais-sur-Mer, perto de Royan, a praia da Lède sente diretamente os impactos das mudanças climáticas: a duna está hoje “totalmente devastada por tempestades sucessivas”, relata Samuel Gendrillon, técnico florestal do Serviço Nacional das Florestas (ONF).

Os números impressionam: a linha de costa já recua de 10 a 15 metros por ano, e as estruturas locais não conseguem mais acompanhar esse ritmo. “Percebemos que, todas as vezes, é o mar que vence”, desabafa, com amargura, Isabelle Prud’homme, vice-prefeita. O desequilíbrio atinge todo o ambiente - especialmente a floresta dos Combots de Ansoine, onde os pinheiros enfrentam tempestades cada vez mais intensas.

Um “partir o coração”

Diante desse cenário, o poder público não tem alternativa a não ser intervir. Ao longo de uma faixa de 900 metros, cerca de uma centena de pinheiros marítimos está sendo derrubada. A decisão é extrema, mas considerada essencial. A prioridade é a segurança: árvores gigantes, agora fragilizadas, podem desabar sobre os milhares de veranistas que frequentam a praia da Lède a cada verão.

Segurança na praia e proteção de embarcações e da ostricultura

Além disso, é preciso “evitar que eles sejam levados para o oceano”, explica Samuel Gendrillon, já que os troncos podem causar danos severos a embarcações ou devastar os parques de ostras de Marennes-Oléron. “Dá um aperto no coração remover essas árvores, mas não temos escolha”, reconhece Jean-Michel Laloue, técnico do Conservatório do Litoral, proprietário da floresta.

A aposta na duna cinzenta

Nem tudo está perdido. Ao manter as raízes no solo para ajudar a fixar a areia, os especialistas apostam no retorno da “duna cinzenta”. Mais baixa e mais flexível, essa cobertura vegetal pode se mostrar mais resistente do que a floresta diante dos ataques do Atlântico. “Não resolvemos o problema, mas as suas consequências”, resume o técnico.

Considerando as previsões dos especialistas, esse tipo de situação tende, infelizmente, a se repetir: as costas francesas se preparam para mudanças drásticas à medida que o aquecimento global avança.

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