Até março do próximo ano, o serviço municipal segue sem alterações. A partir dali, com uma nova concessão, devem surgir linhas adicionais e mais ônibus.
Gratuidade do transporte público municipal em Viseu começa em junho
Os moradores de Viseu deixarão de pagar pelo transporte público municipal a partir de junho do ano que vem, segundo adiantou ao JN o presidente da Câmara, João Azevedo (PS). A iniciativa já havia sido anunciada durante a campanha que terminou com a vitória do socialista e com a derrota do então chefe do Executivo municipal, Fernando Ruas (PSD), nas eleições de outubro.
O projeto já passou pela Câmara com aprovação unânime (PS, PSD e Chega). "Neste momento só estamos à espera do parecer da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes, que não é vinculativo, para depois darmos início à gratuidade, num processo elaborado em tempo recorde", disse João Azevedo.
Concessão da MUV em Viseu: rotas e horários ficam como estão até março
Por enquanto, a prefeitura não prevê mexer nem nos trajetos nem nos horários. "Vamos manter tudo como está até março do próximo ano, que é quando termina a atual concessão municipal, a cargo da MUV-Mobilidade Urbana de Viseu, operada pela empresa Berrelhas. Só a partir de março, quando entrar em ação o novo operador que sairá do concurso público que será lançado pela Comunidade Intermunicipal, é que podemos melhorar o serviço em Viseu", explicou o autarca.
Na avaliação do presidente, a oferta atual está aquém do que a população precisa. "O atual não satisfaz as necessidades da população. Longe disso", enfatiza. "Há aldeias e freguesias que não têm transporte. Os horários não estão ajustados às novas formas de vida. Estamos a falar de um ajustamento que tem que ser bem feito", avaliou.
Por isso, João Azevedo diz que, a partir de março, virão "novas rotas, associadas às dificuldades de mobilidade das pessoas nas zonas rurais, e novos horários, que respondam às necessidades dos munícipes que, por razões profissionais, fazem turnos". "Queremos chegar com transportes adequados às áreas de grande implantação de emprego, nomeadamente zonas industriais. O transporte tem que estar ligado à vida das pessoas para que as pessoas utilizem o serviço público", resumiu o autarca, de 51 anos, que já presidiu a Câmara de Mangualde.
O custo anual é de 1 milhão de euros
No ano passado, foram vendidos cerca de 570 mil bilhetes e 12 mil passes para os ônibus da MUV-Mobilidade Urbana de Viseu. Ainda conforme números da Câmara, foram distribuídos passes gratuitos a 40 mil jovens até 23 anos e a cerca de 4400 ex-combatentes.
"Temos a ambição de aumentar significativamente a utilização dos transportes no concelho", afirmou João Azevedo, sem indicar um objetivo numérico.
A autarquia acrescentou que bilhetes e passes comercializados no ano passado renderam 1 milhão de euros - valor equivalente ao que a gratuidade deve representar em custo. "Representa menos de 1% do orçamento municipal, mais concretamente 0,6%", detalhou João Azevedo, para dimensionar o impacto nas contas do município.
O presidente sustenta que a medida "já deveria ter sido tomada há muito tempo". "Não tenho o dom de adivinhar, mas há uma coisa que eu tenho a certeza. A Europa vai começar a premiar aqueles que utilizam mais o transporte público, aqueles que vão fugir aos combustíveis fósseis por questões ambientais", concluiu.
Os "senhores" que vêm a seguir
O Porto também trabalha para iniciar, em julho, o transporte gratuito para os munícipes, que poderão circular por toda a Área Metropolitana, atendida pela rede Andante. Braga pode ser a próxima cidade a avançar, com horizonte em 2029. Na mesma região, Guimarães avalia a possibilidade.
A primeira Câmara a oferecer transporte sem cobrança à população foi Cascais, em 2020 - experiência que agora permite pensar mais alto, ampliando a gratuidade para o trem. A autarquia quer, junto das Câmaras de Lisboa e Oeiras, assumir a gestão da Linha de Cascais.
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