Chegada do "Hondius" às Ilhas Canárias
O governo da Espanha afirmou nesta terça-feira que todas as pessoas provenientes do navio com surto de hantavírus chegaram às Ilhas Canárias sem sintomas e sem teste positivo para infecção, após a confirmação de dois casos entre passageiros da Espanha e da França.
De acordo com a ministra da Saúde, Mónica García, na chegada do "Hondius" às Canárias foram seguidos os protocolos internacionais da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, na sigla em inglês). No domingo e na segunda-feira, 125 pessoas de mais de 20 nacionalidades foram desembarcadas, repatriadas e avaliadas no arquipélago.
Os procedimentos incluíam um "inquérito epidemiológico" na chegada e aferição de temperatura. Segundo a ministra, ninguém apresentou febre ou outros sintomas, conforme declarou em coletiva de imprensa em Madri.
Após a saída do navio e o traslado para os voos de repatriação - operações realizadas na ilha de Tenerife -, caberia a cada país aplicar os seus próprios protocolos sanitários, acrescentou Mónica García.
Casos na França, nos EUA e na Espanha
A ministra também assegurou que o governo espanhol atuou com "toda a transparência" e que não omitiu informações sobre possíveis infectados a bordo, depois de acusações nesse sentido do governo regional das Ilhas Canárias e de questionamentos relacionados, sobretudo, ao caso de uma mulher francesa e ao de um passageiro norte-americano.
Segundo autoridades de Paris, a mulher francesa retirada do cruzeiro no domingo passou a apresentar sintomas ainda durante o voo de repatriação, e um teste realizado ao chegar à França deu positivo para infecção por hantavírus.
O estado de saúde dela é crítico, e a paciente está internada em uma unidade de terapia intensiva.
No caso do passageiro norte-americano, a ministra espanhola disse que um teste feito quando o navio estava em quarentena em Cabo Verde teve resultado inconclusivo e que a repetição foi negativa. Por esse motivo, tanto a OMS quanto o ECDC - que tinham equipes a bordo do cruzeiro - o classificaram como um caso negativo.
Ainda assim, ao chegar às Canárias, os Estados Unidos decidiram classificar o caso como "positivo fraco" e realizaram novo teste durante o voo de repatriação. De acordo com a ministra espanhola, esse exame deu negativo, e portanto trata-se de um caso não confirmado.
Foi confirmado, entretanto, um novo caso em um dos 14 espanhóis que estão em quarentena em um hospital de Madri: a pessoa começou a ter sintomas leves na segunda-feira, quando já estava internada.
Testes e protocolos adotados
O governo espanhol afirmou ainda que testes específicos para hantavírus, do tipo PCR, para todos os ocupantes do navio antes do desembarque nas Ilhas Canárias nunca estiveram previstos nos protocolos da OMS e do ECDC. A Espanha destacou a complexidade dessa medida e o atraso que ela poderia impor à operação de desembarque.
Situação do surto e recomendações da OMS
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, confirmou nove casos certificados de infecção por hantavírus, além de dois casos prováveis e três mortes neste surto - todos entre passageiros e tripulantes do "Hondius".
Segundo a ministra, com a certificação do caso do passageiro da Espanha, o total de casos confirmados passou a dez.
Considerando o longo período de incubação do vírus, é provável que apareçam novos casos nas próximas semanas. Ainda assim, as pessoas que estavam no navio já estão sob vigilância médica, e os infectados ou com suspeita de infecção estão isolados, de modo que "nada aponta para um surto maior", afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, que também falou em uma coletiva de imprensa em Madri.
O diretor-geral da OMS voltou a pedir a todos os países que receberam tripulantes e passageiros do navio que os coloquem em quarentena por 42 dias, e reiterou que "a avaliação da OMS" é de que o risco para a saúde e para a população global segue sendo baixo.
O que é o hantavírus Andes
Em geral, o hantavírus é transmitido a partir de roedores infectados. A variante identificada, o hantavírus Andes, é rara e pode ser transmitida entre humanos.
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