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Arqueólogos subaquáticos encontram ruínas no lago Issyk-Kul e expõem cidade da Rota da Seda afundada por terremoto medieval

Mergulhador explorando ruínas subaquáticas com inscrições antigas e artefatos cerâmicos no fundo do mar.

Arqueólogos subaquáticos localizaram ruínas notáveis ocultas sob as águas tranquilas de um lago bastante conhecido na Ásia Central. A descoberta traz à tona detalhes intrigantes de uma antiga cidade mercantil ligada à Rota da Seda, que acabou submersa após um intenso terremoto na Idade Média.

Quais relíquias medievais foram localizadas nas profundezas do lago?

Ao investigar a faixa rasa do complexo de Toru-Aygyr, os pesquisadores mapearam alvenarias de tijolos cozidos e restos de edifícios públicos que colapsaram. O levantamento indica que o assentamento submerso operava como um centro urbano e comercial ativo, onde muitas pessoas moravam e trabalhavam no passado remoto.

Nas campanhas de escavação realizadas em setembro e outubro de 2025, os mergulhadores reconheceram uma série de elementos históricos de grande valor. A equipe documentou quatro setores submersos considerados essenciais e reuniu os seguintes achados arqueológicos sob as águas:

  • Paredes antigas: estruturas erguidas com tijolos cozidos, associadas a moradias medievais.
  • Mós de pedra: equipamentos comunitários robustos, usados para moer grãos e produzir alimentos.
  • Peças decoradas: fragmentos arquitetónicos que, ao que tudo indica, pertenciam a edifícios públicos ou a monumentos religiosos relevantes.
  • Vasos cerâmicos: grandes recipientes de argila retirados do fundo, que ajudam a reconstituir aspectos do cotidiano antigo.
  • Vigas de madeira: componentes estruturais recolhidos para permitir análises laboratoriais rigorosas de datação.

Como o forte terremoto medieval inundou a cidade comercial?

A antiga localidade fortificada foi atingida por um desastre natural grave no início do século XV. Um abalo sísmico poderoso derrubou habitações e empurrou a comunidade próspera para o fundo do reservatório, onde o sedimento ajudou a resguardar as construções da destruição completa.

O episódio ocorreu numa área marcada por falhas ativas e alterou de forma profunda a geografia costeira local. A submersão permanente também conservou ferramentas e vestígios orgânicos, permitindo entender como os moradores lidaram com mudanças climáticas e transformações do relevo naquela época decisiva.

O que as sepulturas antigas revelam sobre os rituais locais?

Na segunda seção acompanhada pelos mergulhadores profissionais, foi mapeada uma extensa necrópole islâmica com cerca de 14 acres (aprox. 5,7 hectares). A organização das sepulturas evidencia o planeamento da comunidade e oferece informações importantes sobre as práticas fúnebres adotadas pelos povos locais.

Costumes sagrados

Orientação religiosa dos sepultamentos

Todos os esqueletos analisados na necrópole subaquática estavam dispostos de maneira cuidadosa, seguindo os costumes tradicionais do Islã. Os corpos foram enterrados com o rosto voltado para a qibla, que indica a direção da Caaba, na cidade sagrada de Meca.

Os cientistas também recolheram amostras biológicas de um homem e de uma mulher para conduzir estudos aprofundados sobre a saúde da população. A medida foi considerada urgente, já que o movimento constante das ondas e da água vem desgastando os túmulos.

As análises arqueológicas nesse ponto específico mostram uma diversidade cultural expressiva, relacionada às sucessivas rotas comerciais que atravessavam a região montanhosa. Antes de a consolidação islâmica se tornar predominante, a comunidade abrigava diferentes tradições religiosas, refletidas em crenças distintas e em vários sistemas espirituais, incluindo:

  • Tengrianismo, associado às práticas espirituais nativas dessa população regional.
  • Budismo, difundido por meio dos contactos frequentes com viajantes orientais ao longo da rota.
  • Cristianismo Nestoriano, que estabeleceu núcleos ativos de fiéis nos vales montanhosos.

Quais métodos tecnológicos modernos foram utilizados nas buscas subaquáticas?

Para levantar com exatidão a topografia da cidade submersa, os cientistas recorreram a tecnologias atuais. Drones aquáticos e perfurações foram usados para recolher dados pormenorizados das antigas paredes de argila e do solo cultural preservado sob o leito do lago.

O grupo multidisciplinar encaminhou os materiais orgânicos recuperados diretamente a laboratórios avançados, especializados em análises cronológicas. Esses exames complementares buscam definir marcos temporais precisos e aplicam métodos capazes de esclarecer a cronologia do assentamento com o apoio das seguintes ferramentas científicas:

  • Dendrocronologia, comparando os anéis de crescimento das vigas de madeira com registos climáticos datados.
  • Espectrometria de massa com aceleradores, realizando medições exatas de radiocarbono em materiais orgânicos.
  • Estratigrafia subaquática, avaliando as camadas de sedimentos depositadas sobre as estruturas ao longo dos séculos.

Por que as águas do reservatório ameaçam a preservação das ruínas?

O lago Issyk-Kul forma uma bacia endorreica, isto é, sem escoamento para o mar, porque nenhum rio leva suas águas até o oceano. Essa condição faz com que as variações do nível hídrico encubram vestígios importantes e deixem a história mais exposta à erosão constante provocada por ondas fortes.

Por isso, o acompanhamento contínuo e a recolha de amostras físicas tornaram-se medidas essenciais antes que esse patrimônio desapareça por completo no lodo. Cada fragmento devidamente registado contribui para recompor o panorama urbano do antigo cruzamento comercial e protege a memória arqueológica para as futuras gerações em escala global.

Referências: Notícias | Sociedade Geográfica Russa

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