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Conheça São José do Cerrito: Capital Nacional das Casas Subterrâneas na Serra Catarinense

Homem e mulher interagindo na entrada de casa subterrânea em área rural com araucárias ao fundo.

No coração da Serra Catarinense, um município com pouco mais de 8 mil moradores concentra um dos acervos arqueológicos mais relevantes do Sul do Brasil. Em São José do Cerrito, equipes de pesquisa mapearam dezenas de estruturas subterrâneas erguidas por povos originários há cerca de 1.100 anos, o que revela parte da ocupação humana do planalto catarinense muito antes da chegada de colonizadores europeus.

Conhecidas como casas subterrâneas, essas construções aparecem em diferentes pontos do município e funcionam como evidências de antigos assentamentos dos povos Jê Meridionais, ancestrais de grupos como Kaingang e Xokleng. Escavadas abaixo do nível do terreno, elas eram usadas como moradia e contribuíam para proteger as comunidades das condições climáticas típicas da região.

A relevância desse conjunto fez São José do Cerrito receber o título de Capital Nacional das Casas Subterrâneas. Em áreas já analisadas, pesquisadores reconheceram mais de 100 estruturas pré-coloniais, incluindo casas subterrâneas, aterros e formações anelares ligadas à ocupação indígena do planalto serrano.

Os levantamentos arqueológicos conduzidos na região pelo Instituto Anchietano de Pesquisas, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), contribuem para reconstituir a trajetória desses grupos. Ao longo de anos de campo, foram registrados indícios de fogueiras, artefatos líticos, fragmentos cerâmicos e outros materiais que ajudam a entender o cotidiano e as práticas dessas populações.

Vestígios espalhados pelo planalto

De acordo com os estudos, as casas subterrâneas eram feitas a partir da escavação do solo. Em vez de levantar paredes acima do nível do terreno, os moradores aprofundavam o espaço no chão, deixando aparente principalmente a cobertura. Algumas dessas habitações alcançavam até 20 metros de diâmetro e 6 metros de profundidade.

Na localidade de Rincão dos Albinos, uma das áreas acompanhadas por arqueólogos, foram catalogadas dezenas de estruturas em diferentes sítios arqueológicos. As análises apontam intervalos longos de ocupação humana, reforçando o peso da região para compreender a presença dos povos Jê Meridionais no Sul do Brasil.

Dentro dessas estruturas, as equipes identificaram evidências como fogueiras, artefatos e fragmentos de cerâmica, oferecendo informações valiosas sobre hábitos e aspectos culturais dos antigos habitantes do território.

Além da importância científica, esse patrimônio passou a ser encarado como alternativa para ampliar e diversificar o turismo na Serra Catarinense. A ideia é reunir história, cultura e preservação em roteiros capazes de gerar renda a proprietários rurais e aumentar o tempo de permanência de visitantes no município.

Foi a partir desse cenário que surgiu um projeto de reconstrução de uma casa subterrânea, com técnicas conectadas ao conhecimento indígena tradicional. A iniciativa envolve a prefeitura, instituições regionais - como a Agência de Desenvolvimento da Região dos Lagos (ADREL), a Associação dos Municípios da Serra Catarinense (Amures) e o Sebrae - além de representantes da comunidade Laklãnõ Xokleng.

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Turismo e participação indígena

A obra do primeiro protótipo de casa subterrânea começou neste ano, em uma área destinada ao futuro Centro Integrado de Cultura de São José do Cerrito. A execução está sob responsabilidade de integrantes da Aldeia Bugio, da comunidade Laklãnõ Xokleng, de José Boiteux.

Com cerca de 36 metros quadrados e formato circular, a construção ocorre em um bosque próximo à Secretaria de Turismo do município. Conforme Lola Maringoni Guimarães, secretária de turismo de São José do Cerrito, a definição do local seguiu critérios apontados pelos próprios indígenas, incluindo dimensões culturais e espirituais relacionadas à tradição do povo Xokleng.

A casa está aproximadamente 1,60 metro abaixo do nível do chão, reproduzindo características observadas nas estruturas arqueológicas da região. A intenção é que ela funcione como referência para iniciativas turísticas futuras em propriedades que mantenham sítios arqueológicos preservados.

As casas subterrâneas, no Cerrito, têm todo um contexto único histórico e cultural, de resgate dos nossos antepassados”, afirma Tainara Barbosa Reitz, prefeita de Cerrito.

Projeto busca transformar patrimônio em atração turística

A estratégia prevê a participação de proprietários rurais situados em áreas com maior concentração de estruturas arqueológicas. A proposta é criar condições para que esses espaços recebam visitantes e passem a integrar uma rede de turismo cultural vinculada à história indígena do planalto catarinense.

Os vestígios dos povos indígenas e o protótipo edificado, deverão atrair ainda mais turistas para a região”, diz a secretária de turismo. A reconstrução fará parte de um complexo voltado à valorização da memória regional, que também deverá contar com outros equipamentos culturais. A expectativa é que o projeto incentive a criação de roteiros ligados à arqueologia e à presença indígena na Serra Catarinense.

A participação direta da comunidade Xokleng é tratada como um dos eixos centrais da iniciativa. Além de atuar na obra, os indígenas colaboram na definição de conteúdos culturais e históricos a serem apresentados ao público, para que a narrativa esteja alinhada aos conhecimentos transmitidos entre gerações.

Hospedagem

O avanço do turismo arqueológico também encontra suporte na rede de hospedagem existente no município. São José do Cerrito reúne alternativas que vão de pousadas a opções instaladas em áreas rurais, atendendo quem busca uma experiência mais próxima da natureza e da história local.

Entre os empreendimentos citados está a Pousada Rancho de Tábua, situada nas proximidades do Rincão dos Albinos, área que reúne algumas das principais estruturas arqueológicas catalogadas no município. A posição facilita o acesso aos sítios analisados por pesquisadores e incluídos em iniciativas de valorização turística.

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A cidade dispõe ainda de outras formas de hospedagem, incluindo propostas voltadas ao turismo de natureza e a vivências no campo. Parte delas prioriza estruturas mais integradas ao ambiente rural; outras apostam em acomodações menores e de perfil mais reservado.

É o caso das Cabanas do Arvoredo, que compõem o conjunto de meios de hospedagem disponíveis para quem deseja conhecer os atrativos culturais e arqueológicos de São José do Cerrito. A presença dessas acomodações integra a estratégia de prolongar a estadia dos visitantes e fortalecer o turismo na região.

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Jornalista viajou a convite do Conserra (Conselho de Turismo da Serra Catarinense)

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