Relatório preliminar aponta novos elementos do incidente
Autoridades dos Estados Unidos divulgaram um relatório preliminar com informações adicionais sobre o episódio em que um Boeing 767-400ER da United Airlines atingiu um poste de iluminação durante a aproximação para pouso no Aeroporto Internacional Newark Liberty, em Nova Jersey, em 3 de maio deste ano.
A aeronave, de matrícula N77066, operava o voo United 169 e estava na etapa final do trajeto vindo de Veneza, na Itália, quando colidiu com uma estrutura de iluminação instalada nas proximidades da rodovia New Jersey Turnpike, a poucos instantes do pouso.
Após o impacto, partes do poste se desprenderam e atingiram um caminhão que seguia pela rodovia. O condutor teve apenas ferimentos leves. Mesmo assim, o 767 conseguiu pousar normalmente na pista 29 de Newark e taxiar até o portão sem que ocorressem outros eventos.
Os 220 passageiros, além de três pilotos e oito comissários de bordo, desembarcaram sem ferimentos. Contudo, uma inspeção feita posteriormente apontou danos estruturais relevantes na região inferior traseira da fuselagem.
Troca de aeronave e ajustes sucessivos na chegada a Newark
Conforme a apuração, a tripulação havia sido inicialmente designada para operar um Boeing 757-200 em uma rota entre Newark e Shannon, na Irlanda. Pouco antes da viagem, no entanto, os pilotos foram realocados para voar o Boeing 767-400ER na ligação Newark–Veneza.
O retorno ocorreu sem anormalidades até a fase de descida. A princípio, a tripulação se preparava para pousar na pista 4R, mas recebeu orientação para utilizar a 22L. Em seguida, houve nova mudança para a pista 29, o que exigiu reconfigurar a preparação para uma aproximação RNAV (navegação de área), baseada apenas em pontos virtuais definidos por coordenadas geográficas guiadas por GPS.
Segundo o comandante, as alterações de procedimento foram revisadas previamente com a equipe, ainda que de maneira abreviada. Ele declarou que não percebeu dificuldades de coordenação entre os tripulantes e que avaliava a aproximação como segura.
Aproximação final, velocidade e o impacto antes do toque
Na aproximação final, o piloto desligou o piloto automático e o sistema automático de controle de potência por volta de 880 pés de altitude. Em depoimento, afirmou ter enfrentado rajadas de vento e turbulência moderada, o que ocasionou uma breve oscilação de velocidade.
O copiloto, encarregado do monitoramento, relatou que notou uma redução gradual da velocidade da aeronave nos instantes finais. De acordo com ele, chegou a advertir o comandante de que o avião estava lento e ligeiramente abaixo do perfil ideal de descida, algo corroborado pelo gráfico abaixo, que cruza dados reais de velocidade e altitude e os compara com a trajetória ideal de pouso e a velocidade programada para a aproximação (VAPP), em função da distância até a cabeceira:
Apesar disso, a aproximação prosseguiu e o pouso ocorreu normalmente. Os tripulantes disseram ter ouvido um impacto forte segundos antes do toque na pista. O comandante descreveu o ruído como uma batida repentina, enquanto o copiloto percebeu um leve solavanco nas proximidades da cabeceira.
Depois que a aeronave estacionou, o comandante fez uma verificação visual externa e identificou danos na área traseira da fuselagem.
Danos estruturais e observações sobre o PAPI na pista 29
A análise técnica encontrou três perfurações na parte inferior esquerda da seção traseira do Boeing 767. Os danos se distribuíam por diferentes segmentos estruturais da fuselagem, com amassamentos e deformações entre os pontos perfurados. Para os investigadores, a extensão do comprometimento atingiu componentes estruturais importantes, motivo pelo qual a ocorrência foi classificada como de danos substanciais.
Especialistas também localizaram marcas de corte em um dos pneus do trem de pouso principal esquerdo, sinalizando que a colisão pode ter gerado impactos adicionais além dos danos observados na fuselagem.
O relatório chama atenção ainda para uma particularidade da aproximação à pista 29 em Newark. Ao contrário do que ocorre na maioria dos aeroportos, em que o sistema visual indicador de rampa de aproximação (PAPI) fica à esquerda da pista, em Newark os equipamentos da pista 29 estão posicionados à direita.
Os investigadores observaram que o comandante pretendia conduzir a aproximação visual mantendo a indicação de três luzes vermelhas e uma branca no PAPI. Essa leitura corresponde a uma trajetória abaixo da rampa ideal de três graus, normalmente representada por duas luzes vermelhas e duas brancas.
Dados avaliados pela equipe indicam que voar abaixo da trajetória padrão pode diminuir as margens de separação em relação a obstáculos situados antes da pista.
Medidas operacionais da United e continuidade da investigação
Em decorrência do caso, a United Airlines emitiu comunicados operacionais aos seus pilotos reforçando os procedimentos de aproximação para Newark e alertando sobre os riscos de realizar aproximações abaixo da trajetória recomendada, prática conhecida informalmente como “passar por baixo”.
A empresa também reiterou que os pousos devem ocorrer dentro das zonas previstas em seus manuais operacionais, evitando perfis excessivamente baixos durante o segmento visual final.
A investigação segue em andamento, e o relatório final deverá apontar quais fatores contribuíram para a colisão com o poste de iluminação durante a aproximação para Newark. O relatório preliminar está disponível na íntegra neste link.
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