Quando se fala em endereços de celebridades na França, muita gente pensa logo em Saint-Tropez ou Deauville. Só que, de forma discreta, outra área conquistou espaço no coração de estrelas francesas: a Côte d’Opale e a região dos Hauts-de-France. Por lá, famosos compram casas, restauram antigos casarões rurais ou simplesmente voltam com frequência às cidades onde cresceram - longe dos holofotes de Paris.
Por que os Hauts-de-France viraram uma zona “secreta” de celebridades
À primeira vista, o extremo norte francês parece duro: vento constante, faixas de areia compridas, dunas e campos abertos, além de cidades marcadas por um passado industrial. Justamente essa combinação sustenta o charme do lugar - e ajuda a entender por que tantas pessoas conhecidas vão para lá em busca de sossego.
Entre mar, tijolos aparentes e vilas da Belle Époque, celebridades encontram um refúgio que continua perto do cotidiano delas e, ao mesmo tempo, cria distância.
O apelo da região costuma se apoiar em três pontos que o público famoso valoriza: discrição, preços de imóveis relativamente mais moderados e um vínculo emocional forte com as próprias origens. Não por acaso, muitos dos nomes que têm propriedades ali são do próprio norte. A ideia não é “aparecer”, mas respirar - ou, de maneira bem simples, voltar para casa.
- praias longas e muitas vezes quase vazias na Côte d’Opale
- cidades históricas com muralhas e ruas de paralelepípedo
- um polo urbano em Lille, com cena cultural ativa
- vilarejos tradicionais com antigas fazendas, sítios e casas de tijolo
Le Touquet: clima Belle Époque entre pinheiros e vento do Mar do Norte
Le Touquet-Paris-Plage é visto como a vitrine da Côte d’Opale. Há décadas, o balneário atrai artistas, empresários e rostos conhecidos da TV. Em vez de vender uma imagem de brilho ostentação, a cidade aposta em um charme retrô: avenidas largas, áreas de pinheiros, clubes de tênis, campos de golfe, cassino e boutiques elegantes.
O que mais caracteriza Le Touquet são as vilas independentes cercadas de verde. Muitas ficam escondidas atrás de cercas-vivas altas e, ainda assim, a poucos minutos da praia ou do centro. Para quem tem um endereço ali, dá para levar a rotina quase sem ser notado: correr na areia cedo, fazer compras no mercado ao meio-dia e, à noite, desaparecer na própria espreguiçadeira do jardim.
As vilas de Le Touquet unem o chique parisiense à calmaria do litoral - uma combinação que atrai estrelas há gerações.
Para celebridades que trabalham em Paris, existe ainda um benefício prático: o deslocamento é relativamente fácil, mas a sensação de mudança é grande. Em vez de imprensa de celebridades e paparazzi, o dia passa a ser comandado pelo vento, pela areia e pelo cheiro de sal.
Características típicas das vilas em Le Touquet
| Característica | Descrição |
|---|---|
| Localização | avenidas tranquilas no meio dos pinheiros, perto da praia ou do centro |
| Arquitetura | mistura de Belle Époque, estilo anglo-normando e modernidade dos anos 1920 |
| Uso | segundas residências para fins de semana, pausas de gravação e férias em família |
| Perfil | artistas, empresários, políticos e profissionais da mídia |
Para quem observa a partir da Alemanha, Le Touquet pode lembrar uma mistura de Sylt com Ostende - só que com um tempero francês mais marcado e um passado de ponto de encontro elegante da elite parisiense.
Montreuil-sur-Mer: paralelepípedos no lugar do boulevard
A poucos quilômetros do litoral, surge um contraste claro com os balneários: Montreuil-sur-Mer. Pequena, com muralhas, ruelas estreitas e telhados de tijolo, a cidade parece cenário de filme histórico. Esse ambiente atrai quem prefere pedra antiga e silêncio a lounges de praia.
Um exemplo conhecido é a atriz Corinne Masiero, famosa na França principalmente pela série “Capitaine Marleau”. Ela tem uma casa no Pas-de-Calais, que foi renovada por ela mesma. Em vez de um loft assinado, o que aparece é uma atmosfera acolhedora e pé no chão - coerente com uma artista que costuma interpretar personagens mais ásperos e sem maquiagem.
Nos arredores de Montreuil, antigas fazendas viram refúgios pessoais, muitas vezes bem longe de qualquer tapete vermelho.
Nos vilarejos em volta de Montreuil, cresce a busca por imóveis com personalidade: antigos sítios, pequenas casas senhoriais e conjuntos rurais simples de tijolo. Muitos ficaram vazios por bastante tempo e, depois, foram recuperados com muito investimento e trabalho.
Por que o interior atrai celebridades
- ainda há menos pressão turística do que nas cidades costeiras
- terrenos maiores, às vezes com celeiros e construções anexas
- estruturas históricas com espaço para ateliês ou salas de ensaio
- vida de vila de verdade, em vez de clima de cidade termal
Para artistas, isso cria um contexto em que é possível produzir sem a sensação de estar sob observação constante. Uma fazenda antiga reformada pode funcionar ao mesmo tempo como casa, abrigo e laboratório criativo.
Lille e o norte: sensação de origem com vantagens de metrópole
Mais ao norte, Lille dá o tom da região. A metrópole da Flandres combina tijolo aparente, casas com frontões, museus, festivais e universidades. Muita gente conhecida com raízes no norte continua ligada à cidade, mesmo depois de a carreira ter levado para Paris.
Um símbolo dessa ligação é Line Renaud. A cantora e atriz nasceu em Nieppe, perto de Lille, e mantém uma relação estreita com a região. Isso aparece não só em eventos públicos; até a venda da casa dos pais dela, em 2020, virou notícia na imprensa local. É um retrato de como biografia e lugar permanecem conectados por ali.
Dany Boon - que ajudou a dar ao norte uma nova imagem com o filme “Bem-vindo ao Norte” - também conserva laços próximos com Lille e arredores. Para ele, o norte não é apenas cenário: é parte da identidade que sustenta personagens e histórias.
Em Lille, duas camadas da vida de celebridade se cruzam: o universo do cinema e da TV, cheio de brilho, e um cotidiano bem pé no chão em bairros de tijolo.
Na área urbana de Lille, existem bairros disputados com casas geminadas, apartamentos antigos e pequenas vilas urbanas. Ali, rostos conhecidos costumam morar lado a lado com estudantes, professores ou médicas e médicos. A assinatura arquitetónica permanece a mesma: tijolo vermelho, janelas altas e fachadas estreitas.
A geração mais jovem: Camille Cerf, Ève Gilles e Inès Vandamme
Uma nova leva de personalidades do norte tem ganhado manchetes - sem romper o vínculo com a região de origem.
- Camille Cerf, Miss France 2015, nasceu no norte da França e tem uma casa por lá. Ela usa o imóvel como base na rotina e em projetos de mídia na região.
- Ève Gilles, Miss France 2024, também cresceu no norte. O papel público dela reforça o orgulho de muita gente pela região.
- Inès Vandamme, conhecida por “Danse avec les stars”, foi criada na região e frequentemente destaca as próprias origens.
A presença delas nas redes sociais tem puxado o olhar de fãs mais jovens para lugares que antes eram mais “de conhecedor”. Fotos de praia na Côte d’Opale e stories em Lille ajudam a construir um retrato do norte diferente dos velhos clichês de paisagens industriais cinzentas.
O que torna esses refúgios tão atraentes para celebridades
A escolha de comprar uma casa na Côte d’Opale ou no interior dos Hauts-de-France costuma seguir uma lógica semelhante. Celebridades querem se afastar de Paris, mas sem cair em um resort de férias totalmente impessoal. A região oferece esse meio-termo: longe o bastante para recuperar o fôlego e perto o suficiente de estúdios, sets e aeroportos.
Aqui, pessoas famosas vivem a normalidade: fila na padaria, conversa no mercado, caminhadas na chuva - sem alarde.
Quem tem um endereço na região acaba beneficiado por vários fatores:
- proximidade emocional com a própria história familiar ou com a origem
- ambiente mais discreto, com menos paparazzi do que na Riviera
- variedade de imóveis - de apartamento urbano a fazenda reformada
- estilos de vida combináveis: urbanidade em Lille, natureza na costa e silêncio no interior
O que essa mudança representa para a região
Compradores famosos podem alterar a dinâmica de um lugar. Em Le Touquet, nomes conhecidos reforçam a imagem de “chique, mas sem pretensão”. A procura por vilas mantém os preços altos e alimenta um ciclo constante de reformas, o que melhora o aspecto da cidade - porém também torna o mercado imobiliário mais pesado para moradores locais.
Ao redor de Montreuil, fazendas e casas de campo restauradas acabam reanimando vilarejos inteiros. Prédios que estavam vazios ganham nova utilidade. Ao mesmo tempo, cresce o risco de expulsão de residentes com renda mais baixa, caso as segundas residências passem a dominar a oferta.
Em Lille, o efeito é mais variado. Celebridades ficam mais espalhadas pelo tecido urbano, e o mercado imobiliário já é pressionado por si só. O impacto principal tende a estar no ganho de imagem: quando estrelas assumem a origem, isso fortalece o orgulho regional e atrai setores criativos.
Como é, na prática, viver um refúgio desses no dia a dia
Se a gente imagina um dia típico de alguém como Camille Cerf na região, o cenário é bem realista: corrida matinal na costa, café em um estabelecimento pequeno, ligações com agência e emissora, à tarde um ensaio fotográfico na praia ou uma ida a Lille e, à noite, um churrasco com amigos no jardim. A separação entre figura pública e vida privada parece menos rígida - e mais palpável.
Com uma artista como Corinne Masiero, dá para pensar em algo semelhante. Uma fazenda antiga no Pas-de-Calais oferece espaço para leitura de roteiros, ensaios na sala grande e também trabalho concreto no terreno. Em vez de um quarto de hotel anónimo, surge um lugar familiar, moldado pela própria dona, onde criação e recolhimento se misturam.
Para quem observa de fora, fica uma lição interessante: glamour e status não dependem mais só de endereços prestigiados na Riviera. As áreas silenciosas e varridas pelo vento no norte da França mostram que, para muitas celebridades, o valor está mais na autenticidade, nas histórias e nas lembranças - e em casas onde, à noite, basta fechar a porta e pronto.
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