A CP - Comboios de Portugal e a Rede Nacional de Expressos foram, em 2025, as operadoras de transporte coletivo que mais concentraram reclamações relacionadas à prestação do serviço. Somadas, as duas reuniram perto de sete mil queixas.
Segundo o relatório da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT), no ano passado foram registradas quase 30 mil reclamações - uma redução de 8,9% em comparação com o ano anterior. Entre os diferentes modos, o transporte rodoviário foi o que mais recebeu queixas.
A série histórica analisada pela AMT, com dados desde 2016, indica que os modos rodoviário e ferroviário são, ano após ano, os que acumulam o maior volume de contestações. Em todos os semestres, as reclamações do modo rodoviário lideraram, com uma exceção: no segundo semestre de 2016, o modo ferroviário superou o rodoviário.
Em 2025, a AMT contabilizou 19.089 queixas sobre serviços de transporte rodoviário. No primeiro semestre, foram protocoladas 8427 denúncias, equivalentes a 64,3% do total de reclamações; no segundo semestre, o número passou a 10662, representando 65% do total de denúncias. Os resultados acompanham os de 2024, ano em que a AMT registrou 19.624 reportes.
Dentro do modo rodoviário, o transporte de passageiros segue como a categoria que mais concentra reclamações: foram mais de oito mil queixas apenas em 2025 e mais de dez mil em 2024. Em 2024 e em 2025, a Rede Nacional de Expressos ficou no topo das queixas de passageiros (1740, em 2024, e 1518, em 2025). Logo depois aparece a Carris, com 1206 denúncias em 2024 e 720 no último ano.
Conduta do motorista
Ainda no modo rodoviário, a Alsa Todi Metropolitana de Lisboa acumulou 955 queixas em 2024 e 511 em 2025. Já a Transportes Metropolitanos de Lisboa teve 592 denúncias em 2024 e 455 no ano passado. A leitura de 2025 também aponta reclamações direcionadas aos serviços da Flixbus (554).
Quanto aos motivos mais frequentes no transporte rodoviário em 2025, a causa que mais gerou reclamações foi a conduta dos motoristas (627 queixas). Em seguida, vieram o descumprimento de horários (547) e os cancelamentos de serviço e supressões (488). Além disso, foram registrados 353 protestos ligados a títulos de transporte e 300 referentes ao descumprimento de parada.
Metro e comboio
No modo ferroviário, a AMT apurou 8417 reclamações em 2025 (3586 no primeiro semestre e 4831 no segundo), um aumento de 245 em relação ao ano anterior. O transporte ferroviário de passageiros foi a categoria mais contestada e, no segundo semestre de 2025, respondeu por 79,5% das reclamações dentro desse modo.
A CP - Comboios de Portugal liderou o ranking de queixas no modo ferroviário: em 2025, foram 5802 reclamações relacionadas à empresa, enquanto no ano anterior houve 5454. A Fertagus, por sua vez, recebeu 720 queixas em 2025 e 508 em 2024. Já o Metropolitano de Lisboa registrou 1200 protestos no último ano, 238 a menos do que um ano antes.
Nos trens, o principal motivo apontado nas reclamações foi o descumprimento de horário, com 797 registros. Depois, apareceram problemas com títulos de transporte (534), em especial queixas sobre a aplicação de multas por falta de validação. Falhas em máquinas de venda motivaram 464 contestações, e as condições de transporte levaram a 317 queixas.
Nos sistemas de metrô, a razão mais citada nas denúncias envolveu infraestruturas auxiliares - como escadas rolantes e elevadores -, com 207 reclamações. O segundo motivo mais mencionado foi o relacionado a títulos de transporte, sobretudo a aplicação de multas por falta de validação (131).
Mais de mil denúncias nos serviços dos rios
No ano passado, foram registradas 1244 reclamações relacionadas ao transporte de passageiros por vias navegáveis interiores. A maior parte das queixas teve como alvo os serviços da TTSL-Transtejo Soflusa, com 1151 denúncias. A Atlantic Ferries -Tráfego Local, Fluvial e Marítimo recebeu 72 reclamações. Entre os motivos, os cancelamentos de serviço e supressões ficaram no topo, com 453 queixas.
Táxis
No segundo semestre de 2025, as reclamações sobre transporte por táxi cresceram 64,7% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Ao todo, foram registradas 162 reclamações, que se somam às 101 contabilizadas no primeiro semestre.
TVDE
Em 2025, foram registradas 26 queixas relativas aos operadores de TVDE e 1065 relacionadas às plataformas eletrônicas de TVDE. A Uber Portugal foi a empresa que reuniu o maior número de reclamações.
Transportadoras
No primeiro semestre de 2025, foram contabilizadas 687 reclamações sobre transporte rodoviário de mercadorias, com destaque para a DHL Parcel Portugal, responsável por 23,3% das reclamações. Já no segundo semestre, houve 1689 reclamações, sendo que grande parte se referia a serviços da Paack Yswd Portugal, que concentrou 40,3% do total.
Escolas
No último ano, a AMT recebeu 442 queixas relacionadas a escolas de condução, das quais 95 estavam associadas a exames.
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