Uma piscina de água em forte turbilhão se abriu no Parque Nacional de Yellowstone - apenas dois dias depois de cientistas terem caminhado exatamente sobre aquele trecho de terreno.
Onde eles estavam passou a existir uma cavidade cinzenta de silte, do tamanho de uma pequena piscina, sibilando e emitindo batidas surdas por causa da água em ebulição.
A parte mais estranha: ninguém viu isso acontecer.
A nova piscina surgiu no Biscuit Basin em algum momento entre 14 e 16 de junho - pouco depois de a área ter sido sacudida por uma pequena explosão hidrotermal em 13 de junho.
É o segundo episódio desse tipo no Biscuit Basin em dois anos.
Segundo a equipa do US Geological Survey (USGS), este incidente recente “enfatiza a natureza dinâmica e perigosa da atividade hidrotermal na região”.
Em julho de 2024, a última explosão lançou rochas e água escaldante para o ar, causando danos consideráveis à passarela e à área de visitação.
O evento atual foi menor e, felizmente, ninguém se feriu em nenhuma das duas ocasiões.
O que surgiu no Biscuit Basin (Yellowstone)
O que torna este caso especialmente notável é que, desta vez, cientistas conseguiram registrar a erupção em câmara (ver vídeo abaixo).
Então, o que exatamente está a acontecer no Biscuit Basin?
Como os cientistas rastrearam a explosão hidrotermal
“Pouco depois das 5:09 am MDT no sábado, 13 de junho de 2026, equipamentos de monitorização no Biscuit Basin registaram atividade anómala, incluindo energia sísmica e um sinal acústico de baixa frequência, chamado infrassom, que vinha da direção geral do Black Diamond Pool”, escreve a equipa do USGS.
Quando o sol nasceu, outro indício incomum chamou atenção: o trecho a jusante do rio Firehole estava tomado por uma pluma leitosa, de cor cinzento-clara.
A equipa de Geologia do Parque Nacional de Yellowstone concluiu de imediato que o Black Diamond Pool, ali perto, teria entrado em erupção novamente.
No entanto, os sensores só indicaram um pequeno pico de calor no momento do evento geotérmico, o que sugeria que a explosão principal ocorrera noutro ponto.
Se não foi o Black Diamond Pool, então de onde veio?
A pista mais importante veio das imagens abaixo, captadas por uma câmara do Yellowstone Volcano Observatory.
Se observar a parte superior direita do ecrã, às 5:09:50 am, é possível ver uma coluna de vapor escuro a ser expelida a norte do Black Diamond Pool.
Esse instante coincide com as anomalias sísmicas e de infrassom.
A visita ao local no dia seguinte mostrou evidências de que grandes volumes de água hidrotermal em ebulição avançaram para o rio Firehole a partir de três novas aberturas (vents) recém-formadas.
“Essas aberturas representam caminhos pelos quais água, à temperatura de ebulição ou até ligeiramente acima dela, sob o solo, encontrou subitamente uma saída para a superfície e vaporizou-se instantaneamente, impulsionando uma explosão hidrotermal”, escreve a equipa.
Quando os investigadores chegaram ao local, a água já tinha arrefecido para cerca de 85 °C (185 °F).
Ainda assim, eles conseguiam ver com nitidez uma fenda de 18,5 metros de comprimento e até 1,5 metro de largura, que continuava a despejar água quase a ferver no rio.
Ao redor da fenda havia rochas arremessadas pela explosão, mas elas parecem ter viajado apenas alguns metros - o que indica que este evento provavelmente não foi tão grande quanto o de 2024.
As localizações das novas aberturas podem ser vistas abaixo.
Nesse momento, porém, não havia qualquer sinal da nova piscina.
A piscina cinzenta que apareceu sem ser vista
Só quando a equipa voltou em 16 de junho é que veio o choque: havia uma piscina cinzenta e lodosa, em ebulição ativa, medindo 6,5 metros por 5,3 metros.
A piscina produzia um som de batidas surdas, causado por bolhas de vapor que se formavam e colapsavam (algo um pouco assustador, considerando a visita recente ao local).
Até agora, não está claro exatamente quando ela se abriu.
Com base na ausência de detritos ao redor da nova piscina, a equipa do USGS propõe que ela se formou por colapso, e não por explosão - o que explicaria por que não foi captada em vídeo, ao contrário da erupção anterior.
Ainda assim, imagens posteriores, registadas em 18 de junho, mostraram jatos de água a irromper de forma intermitente até alturas de 6–9 metros, sugerindo que a área permanece ativa.
É possível ver esses jatos ao longe, atrás do Black Diamond Pool, entre 10:24:30 am e 10:25:00 am.
Claro, esta está longe de ser a primeira vez que novas estruturas aparecem diante dos nossos olhos em Yellowstone.
No verão passado, por exemplo, surgiu outra piscina azul-leitosa na área do Porcelain Basin. E, ao longo dos anos, tem havido muita atividade de géiseres.
Um aspeto realmente especial deste caso é a proximidade: foi a explosão hidrotermal mais perto que já ocorreu de um sistema de monitorização.
Assim, a equipa dispõe de muitos dados registados para analisar, tanto de antes quanto de depois do evento, a fim de entender melhor o que aconteceu e se existiram sinais de alerta.
Embora ainda haja muito que não sabemos, este episódio é um lembrete fascinante de que o nosso planeta continua a surpreender.
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