Os programas de fidelidade continuam ganhando relevância no mercado financeiro do Brasil, puxados pela expansão dos cartões premium e pela maior demanda por viagens internacionais. Levantamento da Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Fidelização (ABEMF) aponta que, no terceiro trimestre de 2025, os consumidores acumularam 270,5 bilhões de pontos e milhas - alta de 15,1% na comparação com o mesmo período do ano anterior. No mesmo intervalo, o faturamento do segmento chegou a R$ 6,59 bilhões.
Competição entre bancos, fintechs e cooperativas nos cartões premium
Esse crescimento ocorre em meio ao aumento da disputa entre bancos, fintechs e cooperativas financeiras para oferecer vantagens a quem usa o cartão de crédito com maior frequência. O acúmulo de pontos segue como peça importante, mas as instituições também reforçaram benefícios como acesso a salas VIP em aeroportos, seguros de viagem, cashback e condições mais atrativas para compras internacionais.
A ABEMF também informa que 88,3% dos brasileiros participam hoje de algum programa de relacionamento. Esse cenário ajuda a entender por que campanhas promocionais ligadas a cartões premium têm se intensificado, sobretudo as voltadas a um público com maior recorrência de viagens.
Campanhas com spread cambial e subsídio de IOF em compras no exterior
Entre as ações recentes, aparecem iniciativas que incluem redução de spread cambial, subsídio de IOF e regras especiais para despesas realizadas fora do país. A Unicred, por exemplo, colocou no ar uma campanha com spread zero e subsídio de IOF para compras internacionais feitas com cartões premium da cooperativa.
Viagens ampliam atratividade dos benefícios
Com a popularização das viagens internacionais, cresceu o interesse por produtos financeiros que entreguem algo além do limite de crédito. Nesse contexto, os programas de fidelidade passaram a ter papel central nas estratégias de atração e retenção de clientes.
Para Ana Lucia Rocha, planejadora financeira da Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar), a avaliação deve começar pela conta básica: quanto custa o cartão e quais benefícios, de fato, são aproveitados.
“Dependendo da categoria do cartão, a anuidade pode representar um valor relevante ao longo do ano. Por isso, é importante comparar esse custo com os benefícios realmente utilizados no dia a dia”, afirma.
Na leitura da especialista, quem viaja com frequência tende a extrair mais valor dos serviços dos cartões premium. O acesso a salas VIP, por exemplo, pode aumentar o conforto em conexões e esperas em aeroportos e ainda gerar uma economia indireta com alimentação e outros serviços.
Outro elemento que pesa é o acúmulo de pontos, que possibilita transformar despesas do cotidiano em passagens aéreas, hospedagens e outros itens associados ao turismo.
Benefícios exigem análise do perfil de consumo
Mesmo com o mercado em expansão, especialistas reforçam que o valor real dos programas de fidelidade depende diretamente do perfil de cada usuário. Quem usa pouco o cartão ou faz poucas viagens ao longo do ano tende a aproveitar menos os benefícios atrelados às categorias mais altas.
Ana Lucia acrescenta que pontos e milhas têm valor econômico variável, afetado por fatores como regras de conversão, oferta de resgates e prazos de validade definidos pelos programas.
O avanço do setor ocorre ao mesmo tempo em que o cartão se consolida como um dos principais meios de pagamento no país. Dados do Banco Central e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) indicam que o instrumento permanece entre os mais presentes nas transações realizadas no Brasil.
Para a planejadora financeira, as vantagens oferecidas podem fazer sentido quando há uso constante. “O mais importante é entender se esses custos e vantagens fazem sentido para a rotina e os objetivos financeiros de cada pessoa”, afirma.
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