Falha no sistema de controle de fronteiras (ESS) volta a atrasar aeroportos
Uma falha de informática no sistema de controle de fronteiras voltou a provocar atrasos, nesta terça-feira, nos aeroportos portugueses - com maior impacto em Lisboa. O episódio reacendeu questionamentos sobre a confiabilidade das ferramentas tecnológicas usadas para fiscalizar passageiros vindos de fora do Espaço Schengen.
Em nota, a Polícia de Segurança Pública (PSP) confirmou a existência de "uma falha técnica ao nível de um equipamento informático" e afirmou que o problema foi "resolvido imediatamente e sem impacto, devido aos planos de contingência previstos".
A corporação também contestou a ideia de esperas excessivas e advertiu que "a circulação de informação não verificada causa alarme injustificado" e prejudica tanto o funcionamento normal das operações de fronteira quanto a eficácia da operação geral dos aeroportos.
Tempos de espera divulgados pela PSP
De acordo com os números divulgados pela PSP, no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, foram registrados tempos de espera de 32 minutos nas partidas e 36 minutos nas chegadas.
No aeroporto de Faro, as filas chegaram a 45 minutos nas partidas e 40 minutos nas chegadas. Já no Porto, a PSP apontou 10 minutos nas partidas e 30 minutos nas chegadas.
Reforço de agentes e mais guichês de controle manual
À Lusa, o porta-voz da PSP, Sérgio Soares, confirmou que está programado o reforço de 360 agentes nos aeroportos portugueses no começo de julho - informação que o primeiro-ministro já havia divulgado na segunda-feira, em Moledo.
Para ampliar a capacidade de atendimento aos passageiros, o Ministério da Administração Interna (MAI) anunciou que vai aumentar, a partir de 29 de maio, a quantidade de "guichês" de controle manual de passaportes.
Filas criam "caos", diz Moedas
Mesmo depois de o Governo garantir que o novo sistema de entrada e saída (ESS, na sigla em inglês) não será suspenso, o presidente da Prefeitura de Lisboa, Carlos Moedas, afirmou considerar "necessário, neste momento, suspender o sistema eletrónico porque ele não está a funcionar". O político destacou que as filas dos últimos dias vêm "criando caos naquilo que é a entrada" em Portugal e acabam passando "no fundo, uma imagem terrível" do país.
Moedas argumentou que "o sistema é muito importante para a Europa porque permite identificar pessoas, desde criminosos que não devem entrar num país", mas ressaltou que, para funcionar como deveria, os problemas "têm de ser resolvidos".
Na segunda-feira, o primeiro-ministro reconheceu que os episódios trazem dificuldades aos passageiros e também à operação aeroportuária, acrescentando que "Portugal não pode dar sinais de incapacidade numa área tão estratégica como esta". "Estamos a fazer o que nos compete para ter mais capacidade de resposta, mas eu não escondo: estamos insatisfeitos com o que tem sido a resposta dada por parte dos serviços de fronteira nos aeroportos e, em particular, no aeroporto de Lisboa", disse Luís Montenegro.
O MAI, por sua vez, informou que acompanha os constrangimentos registrados nos aeroportos e que as equipes técnicas estão analisando as falhas ocorridas. Uma fonte oficial declarou à Lusa que a meta é "assegurar a estabilidade e resiliência dos sistemas de controlo fronteiriço", reconhecendo a necessidade de reforçar recursos tecnológicos. Embora admita que as ocorrências sucessivas afetam a experiência dos passageiros e a fluidez operacional, o ministério comandado por Luís Neves reafirmou que o sistema não será suspenso, "em conformidade com o direito da União Europeia".
O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, adotou um tom mais duro e classificou os atrasos nos aeroportos como "inadmissível". "Não é aceitável que continuemos a ter falhas informáticas com impacto direto na operação aeroportuária", afirmou. Ele também reforçou que os transtornos prejudicam a imagem externa do país: "Portugal vive muito da sua capacidade turística e aeroportuária. Não podemos transmitir insegurança ou falta de capacidade operacional aos passageiros internacionais".
Falhas repetem-se nas últimas semanas
O problema registrado nesta terça-feira se soma a outros episódios semelhantes ocorridos nas últimas semanas nos aeroportos portugueses. Em casos recentes, novas falhas nos sistemas de controle documental obrigaram a adoção de procedimentos manuais, causando atrasos relevantes nas chegadas internacionais e gerando tempos de espera acima de duas horas nos períodos de maior movimento.
A sequência de ocorrências tem alimentado críticas de operadores turísticos, companhias aéreas e sindicatos policiais, que apontam aumento da pressão sobre os sistemas tecnológicos e sobre os recursos humanos disponíveis. O Sindicato dos Profissionais da Polícia já havia defendido "um reforço urgente de meios humanos e tecnológicos" nas fronteiras aéreas, alertando para o risco de agravamento durante a alta temporada do turismo.
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