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FAA prepara o fim da proibição do voo supersônico sobre os Estados Unidos

Homem observa avião futurista voando sobre edifícios enquanto segura plantas e tablet em telhado ao entardecer.

Os céus dos Estados Unidos não veem um voo comercial supersônico desde a aposentadoria do Concorde. Essa ausência tem uma explicação conhecida: o estrondo sônico que, ao atingir o solo quando a aeronave rompe a barreira do som, gerava incômodo para quem estava em terra - um tipo de restrição que as autoridades de aviação agora dizem estar dispostas a rever.

O veto ao voo supersônico sobre terra nos EUA

Em 30 de junho, a Federal Aviation Administration (FAA) apresentou uma proposta para atualizar o marco regulatório do espaço aéreo americano, mirando um ponto que permaneceu praticamente congelado por meio século: a proibição de aeronaves civis voarem em velocidade supersônica sobre o território. A agência levou o tema à consulta pública na forma de um Aviso de Proposta de Regulamentação (NPRM).

A regra que serve de base para essa discussão foi publicada em 28 de março de 1973, com o objetivo de impedir que o estrondo supersônico sacudisse as populações no solo. O texto, que na origem tratava do “estrondo sônico de aeronaves civis”, voltou ao centro do debate quando o governo Trump considerou que já era hora de atualizar esse resquício regulatório da era Nixon, determinando que a FAA revogasse a proibição em até 180 dias e elaborasse, em seguida, um novo conjunto de regras.

Mach 1: a linha vermelha prestes a sumir

A norma planejada para entrar em vigor passará a se apoiar no ruído percebido no solo quando uma aeronave cruzar Mach 1 (cerca de 1.225 km/h). Na prática, os fabricantes terão de comprovar - por medições, modelagem ou qualquer método que a FAA aceite - que o avião não produz uma sobrepressão sonora excessiva no chão ao atingir essa velocidade.

A disposição da FAA em flexibilizar essa regra se apoia em dois motivos principais. O primeiro é o voo de teste bem-sucedido do XB-1, da Boom Supersonic, realizado em fevereiro de 2025. O segundo é o programa FaINT (Investigação em campo distante dos limiares sem estrondo), da NASA, que indicou que, em determinadas altitudes e condições atmosféricas, a onda de choque perde força no caminho até o solo a ponto de se tornar imperceptível ao ouvido humano.

Além disso, embora a FAA não aponte esse ponto de forma direta, é difícil ignorar outro fator que também pesou: a própria NASA conseguiu colocar no ar, pela primeira vez no outono de 2025, seu protótipo supersônico “silencioso”, o Lockheed Martin X-59 QueSST (Transporte Supersônico Silencioso).

Retórica política e ecos do caso Concorde

Donald Trump foi categórico ao defender a nova direção: “Desde mais de 50 anos, regulamentos ultrapassados e excessivamente restritivos mantiveram no chão a promessa do voo supersônico sobre terras, sufocando a engenhosidade americana, enfraquecendo nossa competitividade global e entregando a liderança a adversários estrangeiros”.

O tom protecionista, como de costume, reproduz a linha de discurso que, no passado, atrapalhou o Concorde franco-britânico, ao proibir o sobrevoo de partes do território americano sob o argumento de… ruído. Mas isso fica como detalhe, num momento em que contradições desse tipo voltaram a aparecer desde o retorno dele à Casa Branca.

Consulta pública e prazo até 2027

O secretário de Transportes, Sean Duffy, classificou a mudança como “uma forma de liberar a inovação americana e abrir uma era de ouro das viagens”, numa fala mais lírica. Já Blake Scholl, CEO da Boom Supersonic e beneficiário mais evidente do afrouxamento da FAA, comemorou no X dizendo que “legalizar o voo supersônico era uma bela forma de celebrar os 250 anos dos Estados Unidos”. A ligação entre a independência americana e esse ajuste legal pode não ser óbvia, mas ele também afirmou que “o voo supersônico sem estrondo agora é tecnicamente viável”.

A consulta pública deve começar nos próximos dias, assim que o texto for publicado no Federal Register, e ficará aberta por quarenta e cinco dias. Depois desse período, caberá à FAA concluir (ou não) a nova regra com horizonte em 2027.

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