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Teste do Dyson PencilVac: ultrafino de 38 mm, mas vale 499 €?

Pessoa varrendo chão de madeira clara com aspirador de pó sem fio e luz verde embutida em sala iluminada.

Com o PencilVac, a Dyson leva a miniaturização ao limite. Este novo aspirador vertical, com um formato tubular inédito de 38 mm de diâmetro, promete agilidade e pouco peso. Mas, por trás do feito de engenharia, será que os compromissos fazem sentido no uso diário? Para responder, usamos o aparelho por várias semanas.

A Dyson sempre gostou de virar a mesa. Depois de popularizar a aspiração sem saco, repensar o secador de cabelo e também o purificador de ar, a marca britânica decidiu encarar outro desafio: colocar um aspirador completo dentro de um tubo tão fino quanto um cabo de vassoura. Assim nasceu o PencilVac.

No papel, a ideia chama atenção. Um aspirador de apenas 1,8 kg, com todo o conjunto (motor Hyperdymium, coletor, bateria e filtro) alojado dentro de um cilindro de 38 mm de diâmetro - o mesmo do Airwrap. A proposta não é bater de frente com os “pesos-pesados” da linha, como o V16 Piston Animal ou o Gen5 Detect, e sim abrir espaço para uma nova categoria: um aspirador de apoio ultra-manobrável, pensado para pisos frios/duros e limpezas rápidas do dia a dia.

Era impossível ignorar uma inovação assim. Por isso, colocamos o PencilVac à prova durante algumas semanas.

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O que gostamos no Dyson PencilVac

Um feito de engenharia

O primeiro contato com o PencilVac entrega um raro efeito “waouh” no universo dos eletrodomésticos. Ele é bonito e surpreendentemente fino. O corpo em preto fosco, alinhado ao visual da nova geração Dyson, dá ao conjunto um ar premium que ajudou a construir a fama da marca.

O grande truque está na arquitetura: o motor que gira a 140 000 tr/min, o coletor com compressão, o filtro e a bateria removível ficam todos dentro do cabo de 38 mm de diâmetro. Você procura alguma peça “saltando” para fora e simplesmente não encontra.

A base de carregamento magnética é igualmente bem pensada: basta aproximar o aparelho do suporte para ele encaixar e começar a recarregar. Sem suporte de parede para parafusar e sem conexões chatas. A base também acomoda o acessório dois-em-um e continua compacta o suficiente para ficar num canto da cozinha ou do corredor - algo especialmente interessante para quem mora em espaços menores.

O PencilVac consegue ser elegante e discreto. Nunca achamos que escreveríamos isso sobre um aspirador. Mérito da Dyson.

Leve e fácil de conduzir

Com 1,8 kg já com a escova, o PencilVac impressiona pelo pouco peso. Enquanto um V16 Piston Animal ou um Gen5 Detect acabam cansando o punho em usos longos, aqui a sensação é bem mais tranquila. E isso ajuda, porque a autonomia (falaremos disso adiante) naturalmente limita sessões prolongadas. Na prática, você tira o aspirador da base, faz uma limpeza rápida e devolve em pouco tempo.

Esse formato incentiva o uso “grab and go” - limpar migalhas depois do café da manhã, dar uma passada rápida na entrada - em vez de encarar uma faxina completa.

O baixo peso vem acompanhado de muita manobrabilidade. Para isso, a marca criou a escova Fluffycones. Seus quatro semi-cones, girando em sentidos opostos, permitem movimentos em praticamente qualquer direção: empurrar, puxar, virar de lado para contornar um rodapé. O aspirador responde a cada gesto do pulso com uma fluidez que surpreende.

Dá até para “serpentear” entre pés de mesa desenhando oito no chão, com uma facilidade que aspiradores verticais tradicionais não entregam. O PencilVac também deita totalmente para alcançar a área sob móveis baixos. É justamente em espaços apertados (entre móveis, sob o sofá, ao longo de armários de cozinha) que ele mostra seu melhor.

Laser duplo e escova antienrosco

A Dyson já tinha chamado atenção ao colocar o laser verde no V15 Detect. No PencilVac, a ideia volta em versão dupla (um na frente e outro atrás). E, em piso duro, o resultado é muito marcante. Poeira fina, fios de cabelo e pelos de animais que passam despercebidos a olho nu aparecem de imediato sob o feixe verde. No dia a dia, isso ajuda a limpar de forma mais metódica e, vamos admitir, deixa o processo quase satisfatório.

Outro ponto forte: a promessa antienrosco realmente se cumpre. O formato cônico dos Fluffycones faz com que os fios migrem naturalmente para a ponta estreita dos cones, onde se soltam sem se enrolar. Depois de semanas de uso numa casa com cabelos longos e pelos de animais, a escova continuou limpa.

O que gostamos menos no Dyson PencilVac

Potência de sucção aquém do ideal

O PencilVac entrega 55 AW, enquanto o V16 Piston Animal chega a 315 AW. Era óbvio que não esperaríamos desempenho equivalente num corpo tão compacto, mas mesmo aceitando a proposta de “apoio”, nem sempre ele dá conta.

No modo Eco, é comum precisar passar várias vezes no mesmo ponto para remover poeira fina - inclusive aquela que o laser deixa bem evidente. O modo Medium funciona melhor para a rotina, porém com queda de autonomia. Já o modo Boost fica para emergências, porque drena a bateria rapidamente.

No fim, o laser duplo acaba virando contra a própria Dyson: ao expor toda a sujeira com tanta clareza, ele também evidencia as limitações do aparelho. E vale reforçar: o PencilVac é restrito a pisos duros - nada de tapete ou carpete. A escova Fluffycones não foi feita para isso e, de toda forma, o conjunto motor/sucção não teria força suficiente. Pelo preço, esse recorte é difícil de engolir.

Coletor pequeno demais e manutenção trabalhosa

Por ser compacto, o coletor do PencilVac é minúsculo (0,08 litro!). A Dyson incluiu um sistema de compressão automática para aproveitar melhor o volume, mas ele não faz milagres com cabelos longos, pelos de animais ou detritos sólidos - que não se comprimem. Em casas com pets ou com mais moradores, o coletor enche rápido, mais do que se imagina.

E esvaziar não é tão simples quanto deveria. O sistema de descarte tipo “seringa” (empurrar o coletor para baixo para ejetar a sujeira compactada) parece ótimo na teoria. Na prática, poeira fina e pequenos resíduos entram no mecanismo deslizante e podem travá-lo. Aí é preciso forçar, desmontar peças, limpar manualmente e montar de novo. O resultado é uma manutenção mais chata do que o necessário.

Felizmente, o app MyDyson oferece tutoriais em vídeo que quase viram item obrigatório para entender o processo - mas está longe de ser intuitivo.

Um preço alto demais para o que entrega

Fora dos pisos duros, o PencilVac praticamente não tem para onde ir. O tubo não se separa, o que impede o uso como aspirador de mão. Embora o formato alongado ajude a alcançar o topo de um armário ou até o teto, aspirar sofá, colchão ou banco de carro vira contorcionismo - quando não é inviável. A ausência de uma mini turboescova entre os acessórios reforça essa sensação de limitação.

A autonomia, como esperado, é apenas mediana. Conte cerca de 35 minutos no modo Eco (o que menos aspira), 25 minutos no modo Medium e só 19 minutos no Boost. Para um estúdio ou um apartamento de dois cômodos com piso duro, resolve. Para espaços maiores, fica curto - especialmente porque, às vezes, é preciso repetir passadas.

A bateria removível permite comprar uma segunda unidade, mas é um custo extra a considerar.

A última (e ruim) surpresa é o ruído. O PencilVac emite um apito agudo bem perceptível: 74 dB no modo Medium e até 84 dB no Boost, o que acaba sendo mais barulhento do que o esperado.

Para um aspirador cobrado a 499 €, é difícil aceitar o conjunto dessas limitações, mesmo com toda a proeza técnica.

O PencilWash, a versão lavadora por 349 €

A Dyson estende a filosofia “Pencil” ao PencilWash, uma lavadora de pisos duros lançada por 349 €, ou seja, 150 € a menos que o PencilVac. Aqui também aparece o mesmo cabo de 38 mm e um peso contido de 2,2 kg. A cabeça traz, desta vez, um único rolo de microfibra de alta densidade com 72 000 filamentos/cm², girando a 650 tr/min.

O aparelho não aspira e não tem filtro (uma escolha deliberada para evitar mau cheiro e proliferação bacteriana). O reservatório de 300 ml promete cobrir até 110 m².

Se você já tem um aspirador tradicional e procura um complemento para lavagem rápida de pisos duros, o PencilWash pode ser um investimento mais adequado (e mais acessível) do que o PencilVac. Porém, a autonomia dele também é bem limitada.

Para quem o Dyson PencilVac é indicado?

Com o PencilVac, a Dyson mira um público bastante específico: pessoas em grandes cidades que moram em espaços pequenos ou médios (estúdio ou dois cômodos) com pisos exclusivamente duros (madeira, cerâmica/porcelanato, vinílico). Se você mora sozinho ou a dois, sem animais muito peludos, e seu uso principal é pegar o aspirador rapidamente para uma limpeza expressa após as refeições ou antes de receber visitas, ele se encaixa bem nessa rotina.

Ele também pode funcionar como aspirador de apoio em um imóvel maior, ao lado de um modelo principal mais potente e versátil. Pense, por exemplo, em um apartamento familiar onde o PencilVac fique na base, na cozinha, para limpezas rápidas, enquanto um V16 ou um robô aspirador cuida do trabalho pesado.

Por outro lado, se você tem tapetes ou carpete, pets de pelo longo, uma casa grande para manter ou procura um único aspirador capaz de fazer tudo, é melhor procurar outro caminho.

No fim, a questão central é se esse uso tão específico justifica o preço de entrada de 499 euros.

Nossa opinião sobre o Dyson PencilVac

O PencilVac é um objeto fascinante. A Dyson entrega uma demonstração técnica impressionante: colocar um aspirador funcional dentro de um tubo de 38 mm é um feito industrial, e a manobrabilidade resultante realmente não tem igual no mercado.

Passado o encantamento inicial, porém, a rotina cobra seu preço. A sucção é modesta para garantir um resultado realmente bom em uma única passada, o coletor lota cedo demais, o sistema de descarte ainda carece de confiabilidade e a falta de versatilidade prende o produto a um papel muito limitado. Tudo isso pesa ainda mais quando o PencilVac custa 499 euros: um valor premium para um aparelho que, pela própria proposta, acaba sendo apenas um aspirador de apoio.

O conceito, sim, é claramente promissor. A Dyson pode estar lançando as bases de uma nova categoria de aparelhos domésticos “de precisão” para quem vive em centros urbanos. Mas, por enquanto, esta primeira geração exige compromissos demais para convencer de verdade. Vamos aguardar os próximos passos.


Dyson PencilVac

Preço: 499€

Nota: 6

Nota geral

6.0/10

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