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Luís Montenegro e Pedro Sánchez na 36ª Cúpula Ibérica: ligação Lisboa–Madrid até 2034

Capacetes, plantas e bola de futebol americano à beira do rio com trem passando em ponte ao fundo.

O primeiro-ministro português admitiu que os calendários definidos nas cúpulas ibéricas nem sempre são cumpridos.

Em Huelva, na Espanha, Luís Montenegro falou ao lado do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, numa conferência conjunta realizada durante a 36ª Cúpula Ibérica.

Prazos: Lisboa–Madrid e terceira travessia do Tejo

Montenegro afirmou que continuam em curso estudos tanto para a terceira travessia sobre o rio Tejo como para a ligação de alta velocidade Lisboa–Madrid. Ainda assim, destacou que já existe um troço entre Évora e a fronteira, que corresponde a “uma parte substancial do percurso que cabe a Portugal”.

Segundo o líder do Governo português, “e, portanto, estão reunidas todas as condições para concluir a ligação Lisboa–Madrid até 2034” e, além disso, “se a validação técnica que está em curso” tiver “bons resultados”, pretende-se que “o segmento que já foi construído possa entrar em operação entretanto”.

Projetos Portugal–Espanha em debate

Os dois chefes de governo foram questionados sobre as ligações ferroviárias e outros projetos que aparecem de forma recorrente nas declarações finais e nos acordos das cúpulas entre Portugal e Espanha, mas cujos prazos acabam por não se concretizar.

Montenegro reconheceu que “os prazos de execução” dos projetos acordados nas cúpulas “nem sempre são os desejáveis”, embora tenha insistido que, no caso do setor ferroviário, as intervenções seguem avançando.

Além da ligação entre as capitais, ele referiu que a linha de alta velocidade que conectará Lisboa, Porto e Vigo (na Galiza) está atualmente em construção, e que o Governo estima a sua conclusão em 2032 ou 2033.

Quanto às ligações entre Aveiro e Salamanca e entre Faro e Sevilha, os documentos da cúpula de Huelva voltam a registar a intenção de dar continuidade aos estudos relacionados com ambos os projetos.

No caso do eixo Faro–Sevilha, que passará por Huelva, o primeiro-ministro português observou que essa ligação só apareceu pela primeira vez nas declarações das cúpulas ibéricas na reunião anterior entre os governos de Portugal e Espanha, realizada em Faro, em outubro de 2024.

Acelerar investimentos e compromissos comuns

Pedro Sánchez, por sua vez, considerou que “é verdade que alguns investimentos precisam ser acelerados e desburocratizados” e assegurou o compromisso da Espanha com a concretização das ligações ferroviárias acordadas. Sánchez sublinhou ainda que várias dessas iniciativas estão associadas a projetos de interesse para os dois países, como a Copa do Mundo de 2030.

Cooperação nas tempestades e gestão partilhada da água

Apesar das cobranças sobre prazos, Montenegro e Sánchez realçaram a relevância e o impacto prático das cúpulas ibéricas e dos acordos firmados nesses encontros, citando como exemplo as tempestades deste ano que atingiram a Península Ibérica e a gestão dos caudais dos rios partilhados.

Ambos enfatizaram que situações ainda mais graves foram evitadas graças à cooperação entre os dois países e aos entendimentos sobre água que saíram da cúpula de Faro, em 2024.

“Portanto, é um bom exemplo para destacar que essas cúpulas não servem apenas para assinar documentos, não são apenas uma nova oportunidade de partilhar pontos de vista; isso tem um efeito prático e um resultado que depois pode ser visto”, afirmou Luís Montenegro.

Montenegro também manifestou solidariedade e deixou palavras de “conforto” à Espanha devido ao impacto do mau tempo no país e às vítimas dos recentes acidentes ferroviários. Ele destacou, ainda, a cooperação e a coordenação entre os dois governos na resposta às cheias.

Para o primeiro-ministro português, a gestão conjunta dos fluxos de água “foi essencial para evitar que as consequências fossem ainda piores” nos dois países, “mas particularmente do lado português”.

Sánchez, por sua vez, também expressou a solidariedade do povo espanhol com Portugal perante o mau tempo e as suas vítimas.

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